Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações

Páginas: 10 (2457 palavras) Publicado: 8 de novembro de 2012
Uma Nova Visão do Sofrimento Humano nas Organizações
Introdução
Sabemos há muito tempo que o desenvolvimento da atividade produtiva origina-se de
uma lógica na qual os jogos da concorrência econômica ocupam um lugar central. A
busca de melhores desempenhos produtivos gera na própria empresa problemas
sociais e humanos que têm, por sua vez, conseqüências às vezes menos vantajosas
sobre avida comum e a saúde dos homens e mulheres que ela emprega.
Convém ainda sublimar desde logo que as relações entre sofrimento e organização
não caminham sempre nesse sentido e que o trabalho pode também ser fonte de
prazer, e mesmo mediador de saúde.
Não se trata aqui de proceder a uma revisão dos trabalhos publicados, mas de
concentrar a discussão sobre a questão, deliberadamente limitada masessencial, do
sofrimento no trabalho.

Psicopatologia do Trabalho e Modelo do Homem Concreto
As primeiras pesquisas em Psicopatologia do Trabalho nos anos cinqüenta foram
dedicadas ao estudo das perturbações psíquicas ocasionadas pelo trabalho. Utilizando
a metodologia baseada em entrevistas individuais, e referida ao modelo teórico da
psicofisiologia pavloviana, uma equipe de clínicoschegou a determinar e a descrever
síndromes estreitamente associadas à situação de trabalho: eles descreveram também
a "neurose das telefonistas".
A principal dificuldade encontrada pela Psicopatologia do Trabalho vinha de sua
dependência excessiva dos modelos médicos clássicos: como em patologia
profissional e em medicina do trabalho.
O novo desenvolvimento da Psicopatologia do Trabalho foipossível a partir do
momento em que, assumindo a normalidade dos trabalhadores em situação de
trabalho, chegamos ao ponto de realizar uma reviravolta epistemológica. Agora, a
normalidade é considerada um enigma. Como os trabalhadores, em sua maioria,
conseguem, apesar dos constrangimentos da situação do trabalho, preservar um
equilíbrio psíquico e manter-se na normalidade.
O equilíbrio seria oresultado de uma "regulação" que requer estratégias defensivas
especiais elaboradas pelos próprios trabalhadores. Mesmo sendo testemunhos de que
a doença mental foi colocada à distância, o equilíbrio, a estabilidade, a normalidade
não são, entretanto, dados naturais. São antes o indício de uma luta contra a doença
mental.

As Defesas
Entre a organização do trabalho e o funcionamento psíquicose interpõem portanto,
estratégias defensivas cuja existência foi assinalada acima.
O interesse dessas defesas para a Psicopatologia do trabalho é sua alta especificidade.

Elas são, de fato, marcadas de maneira notavelmente discriminativa pelas pressões
organizacionais do trabalho contra as quais são construídas.

O Confronto entre Organização da Personalidade e Organização
do TrabalhoPara penetrar mais fundo na relação entre o trabalhador e a situação de trabalho é
preciso, se não quisermos fugir às questões essenciais, considerar dois enfretamentos
fundamentais:
encontro entre registro imaginário (produzido pelo sujeito) e registro da realidade
(produzido pela situação de trabalho);
o encontro entre registro diacrônico (historia singular do sujeito, seu passado, suamemória, sua personalidade) e registro dincrônico (contexto material, social e
histórico das relações de trabalho).
A análise da articulação entre organização da personalidade e organização do
trabalho passa por uma referência privilegiada pela clínica psicanalítica. De fato, é no
campo dessa experiência clínica que podemos captar melhor a amplitude da
incidência do passado do sujeito sobre suaconduta atual.

Referência ao Desenvolvimento Ontogenético da Personalidade
Da Psicanálise, aprendemos que os traços mais estáveis da personalidade enraízam-se
na infância e nas experiências precoces. Segundo essa teoria, a organização mental
não está estruturada no nascimento, mas passa por etapas, Cada uma delas é marcada
pelas relações entre a criança e seus pais.

Angústia dos Pais...
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