Um novo olhar sobre o conceito:crianças abandonadas

Páginas: 24 (5932 palavras) Publicado: 8 de setembro de 2012
UM DOS POSSÍVEIS CHÃO DA EDUCAÇÃO SOCIAL: A RUA
Jacyara Silva de Paiva Universidade Federal do Espírito Santo jacyara@superig.com.br Ruas Por que ruas tão largas Por que ruas tão retas? Meu passo torto foi regulado pelos becos tortos De onde venho. Não sei andar na vastidão simétrica Implacável Cidade grande é isso? Cidades são paisagens sinuosas De esconde esconde Em que as casasaparecem-desaparecem quando bem entendem e todo mundo acha normal. Aqui tudo é exposto evidente cintilante. Aqui obrigam-me a nascer de novo, desarmado. (Carlos Drummond de Andrade) A Educação Social possui vários campos práticos, inúmeras são as vivências do Educador Social, temos Educador social nos hospitais, no campo, trabalhando com meio ambiente, em abrigos, asilos, em prisões, na escola e também nasruas, a diversidade de contextos educativos sociais desafia a cada dia o grupo de Pesquisa de Pedagogia Social no Brasil que tem trabalhado no sentido de produzir ciência através da Pedagogia Social. Nesse contexto proponho ao estudo das ruas o lugar do amparo coletivo. Como entende Espinheira que
[...] a rua sempre é coletiva. Nela, não há lugar para o privado. Na rua entretanto podem-se vivermúltiplas identidades simultâneas, pode-se ser até simulacro. Nela se foge das “tiranias da intimidade” que fomulam, modelam, violentam. A rua é um amparo coletivo, o lugar dos desamparados (ESPINHEIRA, 1996).

Apesar de ser um espaço público, a sociedade insiste em privatizar as ruas, quando não permite que esta seja um espaço de todos, a miséria, o abandono são paisagens não aceitas pela sociedade.Para Crianças e Adolescentes que moram nas ruas essa, apesar

de toda violência a rua se estabelece como uma alternativa nem sempre pior que suas casas. A criminalidade faz parte do cotidiano das Crianças e Adolescentes que moram nas ruas, bem como dos educadores sociais que trabalham nesse espaço, a imagem de ingenuidade, de inocência, de criança e adolescente, nas ruas desaparece para sersubstituída pelo rotulo de marginal, nas ruas ora são oprimidos quando são perseguidos, linchados, mortos, ora são opressores quando cometem seus delitos. A vida na rua, sua sobrevivência e resiliência requer agressividade, este seria um impulso essencial para quem vive nas ruas em constante estado de alerta em um cotidiano onde a violência é presença constante. Nesse cotidiano está posta a EducaçãoSocial de Rua, com uma outra pedagogia possível, a presença da Educação Social de Rua por si só já é uma intervenção na realidade, já é o inicio de um diálogo que deverá manter-se durante todo processo educativo nas ruas.
Várias vezes entrei em lugares horríveis, um deles debaixo da ponte seca em Vitória, nem a policia entrava ali, mas a ansiedade de ir até ao adolescente era tanta que asegurança deixava de ser prioridade e eu ia ao local, depois que realizava o trabalho e eu parava, eu tremia só em pensar que havia entrado ali, mas na hora a segurança deixa de ser prioridade, deveria, não estou dizendo que estou certa, mas a coisa é quase que intuitiva, loucuras que educador social de rua termina por fazer (V3, VITÓRIA).

Não há dúvida: tenho uma ligação visceral com a rua, com essenão lugar (des)encantado, (contra)ditório, que por vezes faz com que esqueçamos os perigos que ela nos impõe. Enquanto a casa no imaginário social é o abrigo, o santuário é o lugar da família, do cidadão, a rua é vista pela sociedade como lugar onde tudo é disperso, o lugar do não lugar, o espaço perverso onde se deve ter cuidados, para o educador social a rua é um espaço gerador de epistemologiadistinta, fomentadora de metodologias, formas de conhecimento, mediação com a realidade, o aqui-agora, o espaço do educando e do educador é uma das potências sentidas nas ruas.
Quando comecei a trabalhar na rua como educadora minha visão da rua mudou, antes a rua para mim era vista apenas como um lugar de passagem,

um lugar até hostil, porque tranqüilo é a minha casa, não imaginava nunca a...
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