tuberculose

Páginas: 19 (4576 palavras) Publicado: 28 de setembro de 2014
Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO

35(1): 51-58, jan-fev, 2002.

Tuberculose: a calamidade negligenciada
Tuberculosis: the negleted calamity
Antonio Ruffino-Netto1

Resumo Neste artigo, o autor atualiza dados epidemiológicos sobre a tuberculose e descreve a luta contra a
doença no Brasil e no mundo. Destaca aspectos históricos sobre aspolíticas do controle da doença no país e
examina o Plano Nacional de Controle da Tuberculose ora vigente. Termina assinalando alguns problemas
pendentes e discute novas alternativas para o controle da tuberculose.
Palavras-chaves: Tuberculose. Epidemiologia da tuberculose. Programa de controle da tuberculose.
Abstract Epidemiological data on tuberculosis and the fight against the disease in Braziland in the world are
reviewed herein. Historical aspects of the different approaches to the control of the disease in Brazil are highlighted
and the ongoing Brazilian Program for the Control of Tuberculosis is examined. To conclude, the author takes a
look at unresolved problems and considers new alternatives for the control of tuberculosis.
Key-words: Tuberculosis. Epidemiology oftuberculosis. Control of tuberculosis.

A tuberculose (Tb) tem preocupado as autoridades da
área da saúde em todo o mundo. Em 1993, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) declarou a situação da
tuberculose como estado de urgência. Esta própria
instituição se deu conta que, sozinha, não conseguiria
controlar a doença. Criou-se, então, o programa “STOP TB”
que reune instituições de alto nível científicoe/ou poder
econômico, tais como: a Organização Mundial da Saúde, o
Banco Mundial, o Centers for Disease Control (CDC)Atlanta, International Union Against Tuberculosis and Lung
Disease (IUATLD), Royal Netherlands Tuberculosis
Association (RNTA) e American Thoracic Association (ATA).
A OMS11 assinala como principais causas para a gravidade
da situação atual da tuberculose no mundo osseguintes fatos:
desigualdade social, advento da AIDS, envelhecimento da
população, grandes movimentos migratórios.
Deve-se assinalar que, em muitos locais (assim
como acreditam muitos profissionais de saúde), as
autoridades deixaram o problema de lado como se fosse
assunto resolvido. Afinal, já se conhecia bastante a
enfermidade, sua fisiopatologia, diagnóstico, esquemas
terapêuticos emedicamentos disponíveis. Não se
considerou que a existência de todo esse saber prévio

ou recursos de nada adiantam se eles não forem
colocados ao alcance da população geral e, acima de
tudo, que esta população necessita fazer uso efetivo
dos recursos quando estes existem no local.
Os erros de avaliação do problema resultaram em
medidas tímidas no sentido de implementar e por em
funcionamentotodos os recursos disponíveis, sejam os
conhecimentos, sejam os serviços. Julgamos isso um
descalabro consentido que abarcou desde políticas
públicas do Ministério da Saúde (MS), das Secretarias
Estaduais (SES), e Municipais de Saúde (SMS) e
aparelhos formadores dos profissionais de saúde, ou seja,
as universidades.
Tem-se chamado a atenção 6 sobre as doenças
emergentes (e.g., AIDS) oureemergentes (dengue, por
exemplo). Alguns chegam a alegar ser a tuberculose
um problema reemergente em nosso meio. Essa
afirmativa poderá ser válida para alguns paises
europeus, e mesmo para os Estados Unidos da
América, contudo, não é valida para o Brasil: para nós,
a tuberculose não é problema de saúde pública
emergente e tampouco reemergente. Ela é um problema
presente e ficante há longotempo.

1. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP.
Endereço para correspondência: Dr. Antonio Ruffino-Netto. Depto de Medicina Social/FMRP/USP. Av. Bandeirantes 3900, 14049-900 Ribeirão Preto, SP, Brasil
Tel: 55 16 602-3070; Fax: 55 16 633-1386
e-mail: aruffino@fmrp.usp.br
Recebido para publicação em 24/09/2001.

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Ruffino-Netto A...
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