Tristes trópicos, 50 anos

Páginas: 16 (3890 palavras) Publicado: 5 de dezembro de 2011
TRISTES TRÓPICOS, 50 ANOS
Eduardo Luz*

Resumo Este artigo apresenta alguns temas desenvolvidos em Tristes trópicos, particularmente os de natureza literária e antropológica, que ganharam relevo ao longo dos cinqüenta anos que decorreram desde o seu lançamento. Palavras-chave: Tristes trópicos; Literatura e Antropologia; Estudos Brasileiros. Abstract This article presents some themes developedin Tristes tropiques, particularly the literary and anthropologic natured ones, that gained importance throughout the fifty years that have passed since its launch. Keywords: Tristes tropiques; Literature and Anthropology; Brazilian Studies.

Há 50 anos, em Paris, foi lançado Tristes trópicos, do belga Claude Lévi-Strauss. Esta que veio a tornar-se uma das obras mais importantes do século XX é,ao mesmo tempo, um documento antropológico e um monumento literário: trata-se de uma obra inclassificável, do ponto de vista do gênero. Clifford Geertz, um dos mais prestigiosos antropólogos culturais do mundo, chama-o de livro anômalo (Geertz: 2002, p. 35), de caráter literário e auto-referencial. O brasileiro Roberto DaMatta, em seu estudo Edgar Allan Poe, o bricoleur: um exercício de análisesimbólica, considera Tristes trópicos uma excelente introdução à antropologia estrutural. François Laplantine, antropólogo francês que pesquisa o Brasil, afirma que essa obra de Lévi-Strauss é a culminância do romance etnológico (Laplantine: 2000, p. 177). Essa dificuldade de enquadramento da obra pelos estudiosos reflete a pluralidade de campos explorados por LéviStrauss: segundo Geertz, trata-sede uma narrativa de via-

gem e de um tratado reformista; um texto filosófico e uma obra literária simbolista; é enfim, e apesar de tudo, uma etnografia. Esse livro fundamental, no entanto, tem para nós, brasileiros, uma significação especial: ele fixa a experiência do jovem etnólogo no Brasil dos anos 30, destacando seu contato com grupos indígenas. Sobre isso falaremos mais detalhadamente.Antes, é indispensável lembrar quem é o autor e como se construiu o livro. Claude Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas, Bélgica, em 1908, numa família que cultuava as artes. Filósofo de formação pela Sorbonne, recebeu o convite para o posto de professor de Sociologia na recém-nascida Universidade de São Paulo, num domingo do outono de 1934, às nove horas da manhã (Lévi-Strauss: 1996, p. 45), convite a quedeveria responder antes do meio-dia. Aceitou-o, um tanto pelo desejo de afastar-se das ortodoxias filosóficas daquela Paris, um tanto pela ilusão de estudar índios que viveriam nos arredores daquela São Paulo. Aqui aportou em 1935, em Santos. Ao longo dos dois anos subseqüentes, aproveitando sobretudo as férias universitárias, Lévi-Strauss visitou a reserva dos cainguangue, no Paraná, contatou oscadiueu, na fronteira paraguaia, e os bororo, no atual Mato Grosso do Sul. De volta à França, obteve apoio do governo francês e retornou ao Brasil em 1938, para expedições mais longas e complexas: Mato Grosso, onde viviam os nambiquara, e Amazonas, dos tupi-cavaíba. Lévi-Strauss tornou-se etnólogo no Brasil, etnólogo e ecologista. De novo na França, esse judeu de origem alsaciana viu-se obrigado,em fevereiro de 1941, a embarcar para a América, num pequeno vapor onde se apinhavam 350 pessoas, entre elas André Bréton. De 41 a 45, refugiado nos Estados Unidos, lecionou em Nova Iorque. Lá, conheceu Roman Jakobson, que o influenciou em relação à perspectiva lingüística e estruturalista de sua antropologia. Finda a guerra, tornou-se conselheiro cultural da embaixada da França nos EstadosUnidos, em Nova Iorque. Em 1949, ano em que lançou As estruturas elementa-

* Mestre em Literatura Brasileira. Professor de Teoria da Literatura – UFC.

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Rev. de Letras - N0. 27 - Vol. 1/2 - jan/dez. 2005

res do parentesco, foi subdiretor do Museu do Homem. Lá existe um adorno bororo obtido por ele em 1937, trocado por um fuzil, após negociações que duraram oito dias. Tornouse professor...
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