TRIBO KANINGARA

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TRIBO KANINGARA

Traços de sangue
Um dos rituais mais cruéis e sangrentos ainda existentes produz marcas indeléveis no corpo de adolescentes da remota tribo Kaningara
Giovana Vitola
Com lâminas reutilisáveis, os cortadores começam a abrir a pele dos cinco rapazes nus deitados sobre folhas de palmeiras. Pequenos e múltiplos cortes são feitos, um após o outro, com rapidez e agilidade. Primeiro no peito, depois nas costas. Tudo sem anestesia. Esponjas sujas são ensopadas com água de uma bacia velha para limpar o sangue que escorre de seus corpos constantemente e poças são formadas no chão com o líquido vermelho. A sessão dura duas horas.

Os jovens da remota tribo kaningara, em Papua- Nova Guiné, estão no período de transição para a vida adulta, que se dá por meio de um ritual agonizante de modificação do corpo. Dessa forma, eles acreditam, se tornarão homens-crocodilo – o animal que veneram como Deus único e criador do mundo.
Localizada na Oceania, ao norte da vizinha Austrália – da qual ganhou independência em 1975 – a Papua-Nova Guiné fica na parte leste da ilha da Papua, a segunda maior ilha do mundo, e a divide exatamente ao meio com a Indonésia. O país é quase do tamanho do Estado da Bahia. São mais de meio milhão de quilômetros quadrados banhados de puro verde. É um dos países mais rurais existentes, com apenas 18% dos seus seis milhões de habitantes vivendo em áreas urbanas. O restante está em regiões muito remotas, sem contato direto com o mundo exterior. Muitas dessas tribos vivem tão isoladas que não mantêm nem contato entre si e vivem da agricultura de subsistência.

A tribo dos homens-crocodilo, uma das poucas no país que ainda realiza uma cerimônia tão antiga, espiritual e simbólica, está a dez horas a bordo de uma canoa longa e fina, muito primitiva, da cidade mais próxima, Wewak. A vila é feita de várias ocas erguidas acima do solo para se proteger de inundações que ocorrem durante a época das chuvas. Construída no topo de uma montanha,

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