Trabalho de Filosofia Medieval: Santo Agostinho

Páginas: 12 (2821 palavras) Publicado: 14 de junho de 2014


Antes de comentar sobre alguns problemas que podem ocorrer na análise da memória agostiniana1, é fundamental retomar algumas etapas, a fim de que o processo fique mais esclarecedor. As imagens estão intimamente ligadas ao sujeito e com a memória. Se for solicitado que uma determinada imagem desapareça, ela o fará. O inverso também é verdadeiro. O sujeito tem o total controle perante ascoisas que irá ver e presenciar. É o sujeito que adentra o palácio da memória, cabe a ele o total controle sobre elas; o sujeito determina o que verá, quando verá, e de qual maneira verá.
“Quando lá entro mando comparecer diante de mim todas as imagens que quero. Umas apresentam-se imediatamente, outras fazem-me esperar por mais tempo, até serem extraídas, por assim dizer, de certos receptáculosainda mais recônditos. Outras irrompem aos turbilhões e, enquanto se pede e se procura uma outra, saltam para o meio, como que a dizerem: "Não seremos nós?”Eu, então, com a mão do espírito, afasto-as do rosto da memória, até que se desanuvie o que quero e do seu esconderijo a imagem apareça à vista. Outras imagens ocorrem-me com facilidade e em série ordenada, à medida que as chamo. Então asprecedentes cedem o lugar às seguintes, e, ao cedê-lo. escondem-se, para de novo avançarem quando eu quiser” 2.
Caso escolha duas coisas desconexas, como o sol e os oceanos, ele terá a capacidade de selecioná-las, sem haver qualquer conflito entre elas. Não há impedimento, nem interferência de uma coisa para com a outra. Elas simplesmente estão lá, para que o sujeito as utilize da maneira que lhe foraprazível. Não há competição ou tentativa de predominância de um lado para com o outro.

Já os sentidos estão mais organizados, todos tratam de assuntos particulares a suas peculiaridades. O olfato sobre aquilo que é dotado de cheiros e odores, a visão das coisas que são coloridas, e assim por diante. Apesar do sujeito também estar livre para pensar e fazer associações, elas precisam seguiralgumas determinações. A visão não pode competir a algo dotado de odores, muito menos o olfato pode abordar coisas coloridas. Há uma limitação nesse sentido, da própria abordagem sensível. Todas essas noções vindas dos sentidos possuem nexo com uma realidade externa a essa que fora citada. Os sentidos possuem precedentes fora da memória, ou seja, de objetos, que não necessariamente precisam serconcretos, mas não estão na memória3. Para que algo faça parte da memória, pelo menos no âmbito sensível, é estritamente necessário que a coisa seja imagética, ou seja, tenha vindo de um original de um 'mundo concreto'4.Essa relação é forte justamente por eles terem esse valor de imagem, quer dizer: imagens precisam ser derivadas de alguma coisa externa a elas. O espírito, então, abarca todas essasimagens, sendo o receptáculo da memória, e desse seu mecanismo de se lembrar das coisas. O receptáculo está sendo entendido enquanto forma de correspondência entre o ambiente em que as 'coisas' estão inseridas e a inserção propriamente dita. Esse ambiente é o palácio da memória. A maneira a qual estão inseridas é esse receptáculo, que faz a correspondência ideal entre o palácio e aquilo que estácontido dentro dele.
“O grande receptáculo da memória — sinuosidades secretas e inefáveis, onde tudo entra pelas portas respectivas e se aloja sem confusão — recebe todas estas impressões, para as recordar e revistar quando for necessário” 5.
É como se não houvesse outra coisa que representasse a mesma coisa com a mesma eficácia. É ideal que os inseridos sejam totalmente correspondidos peloambiente em que estão contidos. O contrário também é verdadeiro, somente assim há correspondência.

Após entender o mecanismo da memória, surge uma dúvida que tenta ser desenvolvida por Agostinho: de qual maneira a memória armazena as coisas? De que jeito que ela faz esse processo? Por mais que seja possível compreender como ela faz, sempre ficará algum fator pendente, faltante. O sujeito não...
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