Trabalhadores escravos e libertos e o seu papel nas rebeliões da bahia do século xix

Páginas: 13 (3179 palavras) Publicado: 3 de junho de 2013
TRABALHADORES ESCRAVOS E LIBERTOS E O SEU PAPEL NAS REBELIÕES DA BAHIA DO SÉCULO XIX[1]

Autora: Beatriz Souza da Silva[2]
silva_beatriz14@hotmail.com

Orientadora: Profª. Msc. Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes

Resumo: O século XIX é cercado por mudanças e surpresas, dentre elas a fortificação dos abolicionistas, e as lutas pela liberdade, no entanto o que se discute aqui não éapenas a liberdade, mas o papel do negro enquanto escravo pra que isso ocorresse. Trabalhadores escravos e libertos eram a “chave e o cadeado” da economia brasileira na época, e a partir do momento em que estes trabalhadores se unem e percebem que de fato eles são os mais importantes instrumentos para o crescimento do país, resolvem que é preciso por em vigor as poucas leis que os amparam, sendo entãoa melhor forma, as fugas reivindicatórias.

Palavras-Chave: Trabalhadores, Fugas, Liberdade.



INTRODUÇÃO – SER NEGRO

Na primeira metade do século XIX, a Bahia já havia se tornado o maior produtor de açúcar do Brasil e era no recôncavo baiano que poderiam ser encontrados os engenhos mais produtivos. No entanto, diante das más condições como cativos, escravos, erguem-se e deixamclaro que não jugular-se-iam sem batalhar. Durante séculos o Brasil teve como seu sistema organizacional uma sociedade escravocrata, onde era difícil conviver em harmonia, já que, analisando documentos e obras do século XIX é fácil chegar à conclusão de que a sociedade poderia ser dividida em quatro grupos hierarquicamente organizados:[3] brancos, escravos, libertos sob condição (recebiam aliberdade, mas optavam em continuar vivendo junto ao senhor que lhe deu a carta da liberdade) e forros sem condição (quase livres). Estas duas últimas subdivisões entre libertos com e sem condição ganha maior evidência no pós-abolição, sendo fruto de estudos e críticas de grandes pesquisadores.

Ser escravo para o africano que acabava de aportar em cidades brasileiras significava lidar comtudo aquilo que não estavam acostumados, o fato de se tornarem propriedades de desconhecidos, sendo vendidos ou mesmo doados, acima de tudo eram vassalados ao domínio das elites (para os escravos a elite era um enigma até então), obrigados a sustentarem diversas funções de sol a sol enquanto trabalhadores, com a quase única gratificação: o recebimento da ração[4] e o repouso na senzala em meio a umaglomerado de seres humanos, na qual eram tratados como.

A escravidão foi muito mais do que um sistema econômico. Ela moldou condutas, definiu desigualdades sociais e raciais, forjou sentimentos, valores e etiquetas de mando e obediência. A partir dela instituíram-se os lugares que os indivíduos deveriam ocupar na sociedade, quem mandava e quem devia obedecer. Os cativosrepresentavam o grupo mais oprimido da sociedade, pois eram impossibilitados legalmente de firmar contratos, dispor de suas vidas e possuir bens, testemunhar em processos judiciais contra pessoas livres, escolher trabalho e empregador. (ALBUQUERQUE e FRAGA FILHO, 2006 p. 66-68).

Embora haja várias justificativas dadas pelos colonos no Brasil para explicar a mais agressiva forma deescravidão já existente, a escravidão fora algo de cunho expansivo e exploratório econômico, onde a cor da pele tornou-se causa, consequência e pretexto para falar das diferenças e coisificação dos negros. “Assim, ao se criar o escravismo estava-se também criando simultaneamente o racismo” (ALBUQUERQUE E FRAGA FILHO). Essa justificativa dá-se pelo fato de que a elite precisava de um sistema econômico quelhes coubessem melhor e assim, poderiam fortificá-lo. Dentre todos os mecanismos apresentados pela e na sociedade, o mais eficaz, evidentemente fora o uso da alforria[5], estabelecendo para os cativos a busca pelo convívio pacífico entre brancos e negros. Mas para se chegar a essa tão sonhada liberdade, fazia-se necessário o querer da elite branca e quando isso ocorria de certo modo o liberto...
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