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Páginas: 113 (28241 palavras) Publicado: 23 de maio de 2015
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A PLENITUDE HUMANA E A CLÍNICA INTEGRAL NA
PERSPECTIVA DE VIKTOR FRANKL

INTRODUÇÃO GERAL AO TRABALHO

A presente dissertação aborda os temas da “plenitude humana” e do “cuidado integral”
no pensamento de Viktor Emil Frankl, médico e psicoterapeuta austríaco, considerado o
criador da Terceira Escola Psicoterápica de Viena. O interesse por estes temas partiu da busca
pessoal da autora por meiosde superação dos limites da medicina contemporânea, ao lidar
com a dor de pessoas em situações de sofrimento em face das doenças estigmatizantes, dos
prognósticos sombrios e da morte. Percebia, na sua prática clínica em psicodermatoses e
oncologia cutânea, que destes pacientes emanava o inexprimível apelo por um cuidado para
além dos recursos técnicos que a medicina lhes destinava.
A busca pelacompreensão deste clamor passou a ser a fonte da inquietação intelectual
da pesquisadora. A percepção da ausência da espiritualidade humana nas ciências médicas e
da sua intensa presença no enfrentamento diário à dor tornou-se seu leitmotiv, a motivação
constante e profunda que a conduziu a este estudo. O reconhecimento de que esta lacuna no
espectro do cuidado coincidia com a espiritualidadecorrespondeu ao primeiro passo em busca
do aclaramento da questão, tornando-se a bússola da nova jornada a ser empreendida. Seria
necessário encontrar meios para iluminar as razões dessa estreita concepção do humano na
medicina e, igualmente, do cuidado clínico restrito ao mensurável e ao quantificável. A
limitação do cuidado médico à dimensão psicofísica apontava em direção à visão de homem –igualmente limitada - que fundamentava seu conhecimento e sua prática. A questão inicial
passou a se expressar na pergunta por uma antropologia médica abrangente em relação ao
ímus do humano, de onde parecia provir seu apelo por um especial cuidado.
Os esforços para tornar a espiritualidade abordável na área da Saúde sempre se
mostrariam dificultados em suas reais possibilidades. Inicialmente, foram sendofundados na
experiência e empreendidos a partir da micro-realidade do cotidiano médico. Posteriormente
corresponderia às incursões a outros campos do saber, em busca de recursos para um cuidar
mais inteiro. Emergiu, dessa forma, a pressuposição de que a reflexão metódica sobre a

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espiritualidade na medicina iria requerer uma antropologia médica abrangente, uma disciplina
lacunar na maioriados currículos médicos atuais.
Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha incluído a espiritualidade em
seus protocolos e em seu conceito de saúde desde 1997, as esferas acadêmicas do contexto
brasileiro não contemplavam, até então, projetos de humanização da medicina - e da saúde em
geral - que considerassem a espiritualidade enquanto dimensão antropológica. A ampliação do
cuidado clínicotem sido frequentemente proposta no sentido do social, revelando a concepção
científico-naturalista do homem, assim visto como um fenômeno restrito às ordens do
biológico e do psicossocial. Além disso, as poucas tentativas que anteviam a importância da
espiritualidade, tendiam a tratá-la como um fenômeno cultural, quando não a confundi-la com
a religiosidade ou a identificá-la com o sobrenatural.Isto ilustra a indubitável dificuldade das
ciências médicas contemporâneas – como das ciências em geral - para lidar com os aspectos
intangíveis do humano, restringindo-se ao que é passível de apreensão na esfera do concreto.
Diferentemente, Viktor Frankl – escritor cujas obras foram apresentadas à autora após
longas jornadas de pesquisa - concebeu modalidades de cuidado nas quais a espiritualidadedo
homem aparece como uma dimensão constitutiva da própria condição humana. Para Frankl, o
homem possuiria uma constituição multidimensional na qual estão reunidas as dimensões
somática (do grego sômathos, corpo), psíquica (do grego psukhê, 'sopro de vida', 'alma') e
noética (do grego noûs, 'intelecto', 'espírito'). Esta concepção de homem seria capaz de
subsidiar uma clínica abrangente e...
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