Teresa e mariana: a dualidade romântica em "amor de perdição" de camilo castelo branco

Páginas: 7 (1532 palavras) Publicado: 2 de julho de 2012
TERESA E MARIANA: A DUALIDADE ROMÂNTICA EM AMOR DE PERDIÇÃO DE CAMILO CASTELO BRANCO

Em “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco, Simão Botelho, jovem rebelde, apaixona-se perdidamente por Teresa de Albuquerque. Este amor modifica-lhe o temperamento transformando-o em um homem melhor e surpreendendo todos que o rodeiam, inclusive sua própria mãe. A história se desenvolve como um triânguloamoroso, em que Simão e Teresa veêm seu amor impossível, por causa da rivalidade de suas famílias, e Mariana sofre por não ter o seu amor correspondido de Simão que a vê fraternalmente.

Introdução

Neste trabalho, visamos analisar as figuras femininas de Mariana e Teresa; a primeira considerada ultra-romântica, pois sofre em silêncio, e a outra heroína romântica, pois desafia todos, até seupróprio pai na tentativa de tornar real seu amor impossível. Baseamo-nos fielmente na obra de Camilo, nos estudos românticos e em Massaud Moisés. Dividido em três partes que contemplam: um apanhado histórico-local do Romantismo, a análise e conjecturas sobre a figura feminina de Mariana e a última que contempla a figura feminina de Teresa. Não optamos por fazer recortes textuais na obra, mas simanalisá-la como um todo e a partir daí, fundamentar nossa opinião.

ROMANTISMO
O movimento romântico teve sua base fundadora na Europa, inclusive, uma importância maior que qualquer outro movimento de ordem semelhante, pois consolidou-se não só como uma revolução literária, mas como uma nova forma de ver o mundo. Um dos diferenciais que dá ao romantismo uma certa relevância em comparação a outrosmovimentos estéticos é a maneira como este muitas vezes abarca temas e tendências contraditórias e contrastantes. (MOISÉS, 1994, p.116).
No contexto português, o romantismo foi introduzido por João Batista de Almeida Garrett, que se exila na Inglaterra e de lá, ao entrar em contato com representantes do movimento, cria o poema Camões, que marca o início do movimento romântico em Portugal.
Garrettafirma que o poema Camões não deve ser julgado por princípios clássicos, já que este não se encontra mais nesse campo de estudo, portanto tudo o que se encontrar serão apenas defeitos. Sendo assim, deve-se julgá-lo por princípios do coração e sentimentos da natureza.
Uma das características mais latentes no romantismo é o individualismo, que consiste na liberdade de criação sem seguir padrõesclássicos assumida pelo artista romântico. Há ainda o egocentrismo, que diz respeito à visão centralizada no “eu”, portanto narcisista, em que o que o indivíduo faz, o faz para mostrar a si próprio. O egocêntrico vê o sentimento e a maioria de fatos que dizem respeito ao outro como uma extensão do “eu”, que “engloba tudo quanto cai sob os sentidos do homem romântico, acabando por identificar-se com omundo real e sensível, e por transformá-lo numa espécie de manifestação exterior sua.” (MOISÉS, 1994, p. 117). A partir disto provém também o caráter subjetivista do artista romântico, que ressalta sua visão de mundo e suas concepções, fato este, que pode ser notado pelo uso de verbos na primeira pessoa.
Esse egocentrismo denota um ar de feminilidade às atitudes românticas devido ascaracterísticas resultantes dele que são tomados como próprio da vaidade feminina. O que é o caso do sentimentalismo extremo ou o culto das razões do coração, que vem de encontro ao culto da Razão, privilegiado pelo classicismo; ou seja, estabelece-se o sentimental em oposição ao racional. Essa característica em particular dá vazão ao impulso e ao desequilíbrio sentimental adjetivando o romântico comoinstável, rebelde, revoltoso.
Outro ponto distintivo fundamental no Romantismo é o chamado “mal-do-século”, que é o tédio, resultante da instabilidade do romântico, já que este ao confessar intimidades e sentimentos descobre “sensações ligadas à fragilidade e ao mistério dos destinos humanos, submetidos aos azares e à perpétua mudança de tudo”. Tais descobertas levam o indivíduo ao desespero,...
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