TERCEIRA MEDITAÇÃO-DESCARTE

Páginas: 10 (2387 palavras) Publicado: 3 de junho de 2014
Terceira Meditação - De Deus; que ele existe 18

2. Agora considerarei mais exatamente se não se encontram talvez
em mim outros conhecimentos que eu não tenha ainda percebido. Estou
certo de que sou uma coisa que pensa; mas então não sei também o que
é requerido para me tornar certo de alguma coisa? Nesse primeiro conhecimento não se encontra nada além de uma clara e distinta percepçãodaquilo que conheço; a qual, na verdade, não seria suficiente para me
assegurar de que é verdadeira, se algum dia pudesse ocorrer que uma
coisa que eu concebesse assim clara e distintamente se mostrasse falsa. E,
portanto, parece-me que já posso estabelecer como regra geral que todas
as coisas que concebemos muito clara e muito distintamente são todas
verdadeiras.
5. E, por certo, já que nãotenho nenhuma razão de crer que haja
algum Deus que seja enganador, e mesmo que eu não tenha considerado
ainda as que provam que há um Deus, a razão de duvidar que depende
somente dessa opinião é bem frágil e, por assim dizer, metafísica. Agora,
para poder suprimi-la inteiramente, devo examinar se há um Deus, tão
logo se apresente a ocasião; e, se achar que há um, devo também examinar
se elepode ser enganador: pois, sem o conhecimento dessas duas
verdades, não vejo como possa jamais estar certo de alguma coisa.19 E,
a fim de que eu possa ter a ocasião de examinar isso sem interromper a
ordem de meditar que me propus, que é de passar por graus das noções
que encontrar primeiro em meu espírito para aquelas que nele poderei
encontrar depois, é preciso que aqui eu divida todos osmeus pensamentos
em certos gêneros e considere em quais desses gêneros há propriamente
verdade ou erro.
6. Entre meus pensamentos, alguns são como as imagens das coisas,
e é apenas a estes que convém propriamente o nome de idéia: como
quando me represento um homem, uma quimera, o céu, um anjo ou mesmo
Deus.20 Outros, além disso, têm algumas outras formas: como, quando
quero, temo, afirmo ounego, concebo então efetivamente uma coisa
como o sujeito da ação de meu espírito, mas acrescento também alguma
outra coisa, por essa ação, à ideia que tenho daquela coisa; e, desse gênero
de pensamentos, uns são chamados vontades ou afecções e os outros,
juízos.
7. Agora, no que concerne às ideias, se as considerarmos apenas
nelas mesmas e se não as relacionarmos a alguma outra coisa, elasnão
podem, para falar propriamente, ser falsas; pois, quer eu imagine uma
cabra ou uma quimera, não é menos verdadeiro que eu imagine tanto
uma quanto a outra.21
9. Assim, não restam senão os juízos, em relação aos quais devo
prestar atenção cuidadosamente para não me enganar. Ora, o principal
erro e mais comum que se pode encontrar consiste em que eu julgue que
as ideias que estão em mim sãosemelhantes ou conformes às coisas que
estão fora de mim; pois, certamente, se eu considerasse as ideias apenas
como modos ou formas de meu pensamento, sem querer relacioná-las a
algo de exterior, mal poderiam elas dar-me a ocasião de falhar.
15. Há, porém, ainda uma outra via para investigar se, entre as coisas
das quais tenho ideias em mim, há algumas que existem fora de mim.
A saber, casotais ideias sejam tomadas somente na medida em que são
certas formas de pensar, não reconheço entre elas nenhuma diferença ou
desigualdade, e todas parecem provir de mim de uma mesma maneira;22
mas, considerando-as como imagens, das quais algumas representam
uma coisa e as outras uma outra, é evidente que elas são bastante diferentes
entre si. Com efeito, aquelas que me representamsubstâncias são, sem
dúvida, algo mais e contêm em si (por assim falar) mais realidade objetiva,
isto é, participam por representação em mais graus de ser ou de perfeição
do que as que me representam apenas modos ou acidentes. Ademais,
aquela pela qual concebo um Deus soberano, eterno, infinito, imutável,
onisciente, onipotente e criador universal de todas as coisas que estão fora
dele, aquela,...
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