Terapia comportamental e cognitivo-comportamental

Páginas: 79 (19649 palavras) Publicado: 17 de março de 2014
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Terapia por Contingências de Reforçamento
Hélio José Guilhardi
Instituto de Análise de Comportamento – Campinas, SP

A terapia comportamental é um processo que envolve a aplicação de
procedimentos ou técnicas comportamentais específicos, utilizados com o
objetivo de alterar exemplos particulares de comportamentos da queixa
apresentada pelo cliente ou por pessoas relevantes do ambientesocial em que ele
está inserido. Envolve, sim, tal prática; mas não se limita a ela. Esta advertência
inicial se faz necessária para que o leitor dos capítulos que se seguem não se sinta
atraído pela noção de que cada técnica descrita é um exemplo de terapia
comportamental ou uma maneira de lidar com uma queixa. Certas perguntas,
freqüentemente formuladas pelos estudantes e profissionaisprincipiantes: “Você
pode sugerir um texto que me ensine a tratar um caso de depressão?” ou “O que
eu tenho que fazer para tratar uma fobia?”, são inapropriadas e parecem buscar
respostas que aparentemente estariam nos capítulos sobre as técnicas. A
impropriedade de tais questões deverá ficar plenamente esclarecida até o final do
presente capítulo.
Ferster (1972)1 argumentou que os problemascomportamentais que

1. As citações freqüentes e extensas de B. F. Skinner e de seus seguidores têm dupla finalidade: familiarizar os
não iniciados com os textos originais; mostrar de maneira abrangente o potencial dos escritos de tais autores
para a atuação em áreas distintas como clínica, educação e planejamento da sociedade.

Agradeço às psicólogas Lílian Medeiros, Maria Eloisa BonavitaSoares, Maria Rita J. Martini Del Guerra,
Noreen Campbell de Aguirre, Patrícia Piazzon Queiroz e Tatiana Lussari pelas criteriosas sugestões durante
a elaboração do capítulo.

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são detectados no cliente que busca a terapia são muito mais abrangentes do que
a queixa específica e restrita trazida por ele:
“O desconforto que traz o paciente para a terapia vem
predominantemente decomportamentos não verbais. Em
outras palavras, ele permanece em casa ao invés de ir ao
trabalho ou ele não fala com as pessoas quando as vê. Isto
sugere que a efetividade e a adequacidade geral do
repertório operante do paciente são uma dimensão mais
importante de seu problema, do que fobias ou medos
específicos.” (p. 4).

Ferster destacou que o terapeuta deve lidar com o repertório geral decomportamentos do cliente - tal é a ênfase relevante e fundamental - e não atentar,
prioritariamente, para a queixa específica apresentada por ele. Respondeu, de certa
maneira, a uma crítica que, com certa insistência, se tem feito à Terapia
Comportamental: a de que ela está voltada apenas para problemas isolados, tais
como fobia, gagueira, birra etc. Uma observação clínica freqüente revela quepessoas, que se queixam de “fobias de elevador”, raramente tiveram qualquer
experiência desagradável ou ameaçadora com elevadores; por outro lado, muitas
outras, que tiveram algum tipo de tais ocorrências, não apresentam nenhuma
reação “fóbica” com elevadores. A resposta para as diferentes reações deve ser
buscada no repertório global de comportamentos de umas e de outras. O terapeuta,
antes depropor qualquer ação terapêutica, deve ficar sob controle dos excessos,
dos déficits e das reservas comportamentais do cliente e não sob controle
exclusivo da queixa. Ferster (1972) prosseguiu:
“Um repertório operante fortemente reforçado positivamente tem
maior chance de incluir comportamentos que podem terminar os
estímulos aversivos do que comportamentos que podem vir a ser
perturbadospor eles. Inversamente, é difícil imaginar como a
dessensibilização de uma classe particular de desempenhos

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poderia trazer muito benefício num repertório cuja freqüência
geral de comportamentos é baixa, por exemplo, e que não
detecta características importantes dos ambientes reforçadores
que estão potencialmente disponíveis... Há um extremo em que o
repertório geral é extremamente...
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