teoria e historia

Páginas: 24 (5801 palavras) Publicado: 26 de junho de 2014
2003

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ARQ TEXTO 3-4

ARQUITETURA DAS ESTÂNCIAS
E FAZENDAS DO RIO GRANDE
DO SUL: DISTRIBUIÇÃO
INTERIOR E GÊNESE.
Luís Henrique Haas Luccas

Este artigo foi extraído da Dissertação de Mestrado de título “Estâncias e fazendas:
a arquitetura da pecuária no Rio Grande do Sul”.1 Apresenta o tema de forma
resumida, enfatizando a questão da distribuição interior. Examina as prováveisvertentes da gênese desta casa rural, refletindo sobre o tema dos obscuros caminhos
percorridos pela transmissão do conhecimento arquitetônico e da dialética entre
o popular e o erudito na síntese de tipologias regionais.
INTRODUÇÃO
“Chama-se estância no Rio Grande do Sul uma circunscrição dada
das campinas do país, povoada de gado, cavalos e mulas, e, em certas
porções, partes de carneiros;tem ordinariamente a extensão de uma
sesmaria, às vezes de duas, de três e mais; os animais multiplicam-se
nelas na razão da quantidade inicial, da vastidão do território e da bondade
dos pastos.” (Nicolau Dreys, 1839)
As estâncias foram estabelecimentos rurais destinados inicialmente
à reunião e invernação do gado solto remanescente das Missões Jesuíticas,
com o objetivo de ser deslocado ecomercializado no centro do país através
de Sorocaba. Com o decorrer dos anos ampliam-se as atividades iniciais,
passando ao criatório efetivo, às atividades agrícolas e às atividades fabris
incipientes, como a produção da farinha de mandioca em atafonas, de
charque, o curtimento de couro, entre outras mais recentes. Essas
propriedades de origem luso-brasileira passam a denominar-seigualmente
fazendas, permanecendo a designação original no sul e oeste do Estado
ainda hoje, a exemplo da região platense.
O CONTEXTO: GEOGRAFIA, HISTÓRIA E SOCIEDADE
O estudo histórico preliminar dos fatos que deságuam na atividade
pastoril rio-grandense, e seu percurso através de quase dois séculos que a
pesquisa abrange, é o ponto de partida para a compreensão da arquitetura
estancieira. Osfatores geográficos são igualmente preponderantes,
contribuindo para a caracterização dessa produção sob três diferentes
aspectos. O primeiro deles relaciona-se ao processo ocupacional, com
sua estratificação cronológica refletindo a adoção de padrões construtivos
e figurativos vigentes em momentos distintos. O segundo refere-se à posição
física de regiões com diferentes recursos mesológicos,resultando em
possibilidades materiais distintas, e aos vínculos socioculturais e
polarizações comerciais destas regiões, recebendo a influência de práticas
construtivas e repertórios específicos. O terceiro aspecto envolve a influência

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climática, contribuindo para uma particularização das formas dessa
arquitetura. Complementa este contexto gerador da arquiteturaestancieira,
a sociedade que se constitui no local, com indivíduos de procedências,
funções e posições hierárquicas distintas, desenvolvendo uma atividade
econômica e uma cultura específicas.
A geografia define o relevo e a cobertura vegetal de pastagens,
propiciadores da vocação pecuária do território como atividade econômica.
Suas particularidades físicas contribuíram para a definição de algunsrumos
tomados na ocupação do estado. A estreita faixa costeira entre o mar e os
Aparados, com “a rendilha caprichosa do litoral, as suas praias arenosas,
cortadas de restingas magras, as matarias espessas do interior, dão pouco
cômodo ao deslocamento e ao repasto dos grossos rebanhos”,2 forçando
a criação de um caminho pelos Campos de Cima da Serra, que permitisse
alimentar o gado emmarcha. A derivação sucessiva dos caminhos abertos
para oeste do Estado, em busca de criatórios, especialmente de mulas,
consolida a ocupação do Planalto Médio e Missões, sucessivamente.
Obstáculos físicos foram entraves à criação de rotas e conseqüente
ocupação. A Serra catarinense conteve a abertura do Caminho do Viamão,
sendo vencida por Souza Faria em 1728, através de Araranguá. Igualmente
o...
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