Smith

Páginas: 22 (5442 palavras) Publicado: 21 de maio de 2014
Ordem Social Natural e Artificial
Frédéric Bastiat (1801-1850)

Propus-me a colocá-los no caminho para esta verdade: Todos os impulsos dos homens, quando motivados pelo auto-interesse legítimo, caem num padrão social harmônico. Esta é a ideia central deste trabalho e a sua importância não pode ser exagerada.

Era elegante, em um momento, rir do que era chamado de problema social; e, épreciso admitir, algumas das soluções propostas eram muito merecedoras de zombaria. Mas não há, certamente, nada de cômico no problema em si mesmo; isso nos persegue como o fantasma de Banquo no banquete de Macbeth, só que, longe de ser silencioso, ele grita aterrorizado para a sociedade: Ache uma solução ou morra!

Agora a natureza desta solução, como se pode prontamente entender, dependerá emgrande parte de se os interesses dos homens são, de fato, harmoniosos ou antagônicos uns para com os outros.

Se são harmoniosos, a resposta para o nosso problema é encontrada na liberdade; se são antagônicos, na coerção. No primeiro caso, é suficiente não interferir; no segundo, nós devemos, inevitavelmente, interferir.

A liberdade pode assumir somente uma forma. Quando nós estamos certos de quecada uma das moléculas que compõem um líquido têm dentro delas tudo o que é necessário para determinar o nível geral, nós concluímos que a forma mais simples e segura para obter este nível é não interferir nas moléculas. Todos aqueles que aceitam como seu ponto de partida a tese de que os interesses dos homens são harmoniosos vão concordar que a solução prática para o problema social ésimplesmente não contrariar os interesses ou tentar redirecioná-los.

A coerção, por outro lado, pode assumir diversas formas em resposta a diversos pontos de vista. Portanto, aquelas escolas de pensamento que começam com a presunção de que os interesses dos homens são antagônicos uns para com os outros jamais fizeram algo para resolver o problema exceto eliminar a liberdade. Eles ainda estão tentandodescobrir qual, de todas as infinitas formas que a coerção pode assumir, é a correta ou, de fato, se há alguma correta. E, se eles algum dia chegarem a um acordo de qual forma de coerção preferem, ainda permanecerá a dificuldade final de fazer com que todos os homens em todos os lugares a aceitem livremente...

[S]e você considera o auto-interesse individual como antagônico ao interesse geral, ondevocê propõe estabelecer o princípio atuante de coerção? Onde você colocará o seu sustentáculo? Estará fora da sociedade? Teria que ser assim, a fim de escapar das consequências de sua lei. Pois se você confiar aos homens um poder arbitrário, você deve primeiramente provar que estes homens são moldados de um barro diferente do resto de nós; que eles, diferente de nós, nunca serão movidos peloprincípio inevitável do auto-interesse; e que quando forem colocados em uma situação na qual nenhuma limitação é possível nem há sobre eles nenhuma resistência, suas mentes serão isentas de erros, suas mãos de ganância e seus corações de cobiça.

O que torna as várias escolas socialistas (eu quero dizer aquelas escolas que procuram uma ordem para a solução do problema social) radicalmente diferentesda escola economista não é algum mero detalhe no ponto de vista ou na forma de governo preferida; essa diferença deve ser encontrada em seus respectivos pontos de partida, em suas respostas a esta questão primária e central: Os interesses dos homens são, quando deixados a si próprios, harmoniosos ou antagônicos?

É evidente que os socialistas partiram em busca de uma ordem social artificialsomente porque consideravam que a ordem natural era ruim ou inadequada; e eles a consideravam ruim ou inadequada somente porque achavam que os interesses dos homens são fundamentalmente antagônicos, caso contrário eles não teriam tido que recorrer à coerção. Não é necessário forçar à harmonia coisas que são inerentemente harmônicas.

Portanto, eles acharam antagonismos fundamentais em todos os...
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