Serviço social

Páginas: 6 (1272 palavras) Publicado: 10 de outubro de 2012
A MULHER EM A.A.

Há alguns anos, bem antes de ingressar em A.A., quando as garras do alcoolismo ainda eram tênues, costumava passar num local onde havia uma placa de um Grupo.
Certo dia, até parei com vontade de conhecer, ver como funcionava e se havia horário diurno. Ao verificar que as reuniões eram à noite vi que o horário me impossibilitaria de comparecer, pois queria ir àsescondidas do meu companheiro, também alcoólico, que, com certeza não concordaria em abrir mão da minha companhia, justamente no nosso horário “nobre”, ou seja, aquele em que estávamos sempre rodeados de garrafas e copos num bar qualquer.
Essa desculpa, aliada ao fato de sentir vergonha, como mulher, de que alguém me visse entrando ou saindo da sala, bem como dos que lá se encontrassem mereconhecessem e saírem me apontando, me levaram a esquecer o assunto.
Além de tudo esse lampejo não se deu porque me considerasse alcoólica e precisasse de ajuda, seria apenas por curiosidade, afinal, eu bebia como todo mundo bebe; às vezes exagerava um pouquinho (diariamente), mas quem já não o fez? Eu não era alcoólica apenas queria parar de beber e ouvira dizer que em A.A. se conseguia.Deixei que a doença seguisse me destruindo, me levando a todas aquelas perdas de que tanto ouvimos falar e falamos nos Grupos: da dignidade, da moral, da família, do patrimônio, da memória, etc. Do emprego não aconteceu, pois o alcoolismo se manifestou e tomou vulto após a aposentadoria. Até então – hoje eu sei – apresentava sintomas, atitudes, ações e reações típicas, mas desconhecia que tratavade doença e não percebia que estava perdendo o domínio da minha vida, ainda que mantendo o controle da situação.
Um dia, após um porre de conseqüências dramáticas, decidi que procuraria ajuda para parar de beber, eis que praticara a abstinência diversas vezes, mas sempre voltava pior, o que me provara ser inócua a tentativa de parar. Sozinha jamais conseguiria me afastar do “rei álcool”, queme dominava por inteiro.
Só outra mulher pode avaliar quão sofrido é o momento de se admitir alcoólica, numa sala, onde, na maioria das vezes é só você, de mulher, os demais são homens, fazendo com que se fique receosa, constrangida e envergonhada, por mais atenciosos, gentis respeitosos e compreensivos possam se mostrar.
Mesmo assim, cheguei; disse logo que queria fazer parte; fui àcabeceira da mesa e nem por um momento sequer titubeei; já saí revelando os motivos pelos quais os procurara e me declarando, de imediato, uma alcoólica.
Obviamente meu mundo caiu ali, reconheci a derrota total. Daqueles minutos de cabeceira de mesa, não sei quantos, nem o que falei, só consigo me lembrar que a Sílvia poderosa, orgulhosa, arrogante, vaidosa ao retornar a casa teve a sensaçãode libertação de um peso, que não era mais capaz de carregar.
A dor da alma era muito superior a qualquer outro sentimento que pudesse aflorar. Aliás, nem espaço, nem tempo havia mais para sentimentos. Era inquestionável; eu sentia sede não mais do álcool, mas de um lenitivo, um remédio que aliviasse não me importando se seria ministrado por homens ou mulheres. Tudo o que necessitava erarecobrar meus sentidos, minha vida, realinhar meus pensamentos e idéias, me reintegrar, juntar os pedacinhos que fui deixando cair pelo caminho, me adequar ao planeta, pois vivera um bom tempo, fora de órbita.
A princípio, muito timidamente fui partilhando minhas experiências; fiz a freqüência de reunião que me foi sugerida, me agarrei ao Programa de Recuperação, procurei conhecer a Literatura,prossegui num Grupo onde havia poucas companheiras, as quais também não iam com muita assiduidade às reuniões. Na maioria dos dias, só havia eu de mulher na reunião, no meio da companheirada masculina. Confesso: não desisti, porque meu companheiro alcoólico, que também ingressara, me acompanhava todos os dias.
Ao ler o livro Alcoólicos Anônimos, Capítulo VIII, às Esposas, me identifiquei...
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