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Páginas: 30 (7430 palavras) Publicado: 23 de abril de 2015
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característica intrínseca do poético49, assim como, definir o que é poético ou não, como
vimos, depende da maneira como cada época considera e valoriza a arte50.
No passado, a estética “pré-existia à ação criadora e impunha-se a ela, ao passo que
agora as inquietações estéticas são por assim dizer compostas juntamente com a elaboração da
obra.” (BORNHEIM, 1993, p.54) Isto expressa que alinguagem da arte, unida à criação
estética, exige do crítico profundas mudanças para que ele possa acompanhar os processos de
desenvolvimento pelas quais passou a composição artística.
Acompanhar não significa romper a divisa entre a crítica e a obra de arte. Acompanhar
significa, para Benedito Nunes (2005, p.305), deixar que a arte fale, não a crítica, pois
“quando a Filosofia e as Ciências se calam,é sempre a poesia que diz a última palavra”.
Como crítico hermenêutico, como autor que traz no seu discurso uma relação dialogal
com o modus operandi da Filosofia Hermenêutica, Nunes (1993, p.198) reconhece que deve
evitar duas falácias: a primeira, “é a falácia da transposição de uma dada filosofia, aplicada,
de maneira absorvente, ao entendimento do texto literário que passa a ilustrá-la”. Asegunda,
achar que as diversas metodologias que existem para análise dos textos literários dêem conta
da leitura do objeto literário:
Lingüística, Sociologia, História, Psicologia ou Psicanálise – qualquer desses
campos metodológicos pode ser requerido para a compreensão da obra, e nenhum
deles, por mais que necessário seja, é suficiente no cumprimento desse fim. A
exigência filosófica de verdadeimpõe, dessa forma, como princípio do discurso do
método, em caráter permanente, a cauta admissão das ciências humanas, em estado
de simpósio: cada qual é capaz de iluminar a obra, e nenhuma, por si só, traz a
completa chave de sua decifração. Filosoficamente, o objeto literário permanece
inesgotável.

Sua crítica, portanto, advinda da tensão provocada pela linguagem literária, empenhase naconstrução de um discurso reflexivo que, ao pôr em relevo o literário, ao pensar acerca
dele, abre-se para a discussão. Tanto quanto a sua leitura da obra literária, a leitura suscitada
pela sua crítica leva o leitor a um questionar do texto artístico, do texto crítico, em um
“exercício de conhecimento do mundo, de nós mesmos e dos outros”. (NUNES, 1998, p.175)

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Embora “a tal ponto a imagem está hojeintrojetada na palavra poética que a mera menção do tema – palavra e
imagem – parece conduzir o pensamento inexoravelmente para a poesia” (SANTAELLA & NÖTH, 1998, p.71);
o nosso discurso verbal, independente do poético, é permeado de imagens. Cf. SANTAELLA, Lúcia & NÖTH,
Winfried. Imagem – cognição, semiótica, mídia. São Paulo: Iluminuras, 1998.
50
Para Leyla perrone-Moisés (1978, p.65-6): “afronteira entre a obra poética e a obra crítica continua estável até
nossos dias. Isto porque a distinção entre os dois tipos de obra é mais do que uma simples distinção genérica. A
crítica não é nem literatura, nem não-literatura; é uma espécie de paraliteratura, quase diríamos uma párialiteratura”.

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como um dos críticos dessa fase, ao lado de, por exemplo, Afrânio Coutinho, Antonio
Candido,Wilson Martins, Eduardo Portella (1933-), Aderaldo Castelo, Fausto Cunha (19232004), Fábio Lucas (1931-) e Euryalo Cannabrava (1911-).
A partir dos anos sessenta, a crítica brasileira também passou a ser produzida nas
universidades e divulgada por meio de revistas especializadas e livros, especialmente
fundamentada pela Teoria da Literatura, que “daria um novo acesso, menos preconcebido, às
CiênciasHumanas e à Filosofia, à História e à Hermenêutica”. (NUNES, 1999a, p.17)
De um modo geral, vigorava, desde o advento da Poesia Concreta (1956), uma
consciência reflexiva da linguagem poética, “condicionada às transformações materiais (...) da
sociedade industrial avançada, e de que a crise do verso, que teria se consumado em
Mallarmé, indicava o ponto de ruptura” (NUNES, 1978, p.125), na busca...
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