Secao IX07PEF

9077 palavras 37 páginas
Política Econômica em Foco, n. 7 – nov. 2005/abr. 2006.

SEÇÃO IX
Prometeu Acorrentado: o Brasil na indústria mundial no início do século XXI
Mariano Laplane e Fernando Sarti 1

Introdução
Desde a segunda metade da década de 1970, a dinâmica industrial no plano internacional é uma dinâmica schumpeteriana. A combinação de mudanças tecnológicas e organizacionais, de fusões e aquisições de empresas, da construção de redes internacionais de fornecimento e de deslocamentos geográficos da capacidade de produção tem alimentado a expansão vigorosa da produção industrial mundial, desde a segunda metade dos anos 1980.
O Brasil completou nos anos 1970 uma etapa importante de seu processo de industrialização. A partir de então, o debate acerca da estratégia de desenvolvimento industrial tem registrado posições antagônicas: de um lado, os que acreditam que as reformas neoliberais, somadas à estabilidade macroeconômica, constituem condições suficientes para que a indústria brasileira se insira positivamente na nova dinâmica da indústria mundial; de outro, os que defendem que, para atingir resultados comparáveis aos das experiências internacionais de sucesso, seria necessário articular um conjunto de medidas visando à construção deliberada da competitividade, através de estratégias conjuntas do Estado e do setor privado.
A crise da dívida no início dos anos 1980 induziu um forte viés na política econômica. A necessidade de gerar superávits comerciais significativos para enfrentar a retração das fontes externas de financiamento estabeleceu como prioridades a contenção de importações e o incentivo às exportações. Na segunda metade da década, no governo da Nova República, houve um esforço deliberado para capturar oportunidades nas novas fronteiras de inovação. A estratégia priorizou tecnologias tidas como estratégicas para desenvolver a competitividade da indústria brasileira: informática, biotecnologia e, em menor medida, novos materiais. Os grandes grupos nacionais
ensaiaram

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