Schopenhauer

Páginas: 18 (4479 palavras) Publicado: 15 de maio de 2014
MODO DE CONHECIMENTO ESTÉTICO E MUNDO
EM SCHOPENHAUER

Jair BARBOZA1



RESUMO: O presente texto intenta mostrar que o modo de conhecimento estético em Schopenhauer funciona como um poder de crítica à racionalidade instrumental da ciência regida pelo princípio de razão.



PALAVRAS-CHAVE: Schopenhauer; sujeito do conhecimento; princípio de razão;
modo de conhecimento estético.

IA frase de abertura da obra magna de Schopenhauer, O Mundo como
Vontade e como Representação, soa: “o mundo é minha representação”.
Para o autor, esta é uma verdade válida para qualquer ser que vive e conhece, embora só o homem possa trazê-la à consciência refletida e abstrata. Fazendo-o, aparece a clarividência filosófica, com o que se torna claro que não
se conhece sol algum, terra alguma,mas aí sempre é um olho que vê o sol,
é uma mão que toca a terra etc. O mundo existe tão-somente como objeto
em relação ao sujeito, intuição de quem intui, “numa palavra, representação”. Uma verdade que o autor identifica nas considerações céticas das
quais partiu Descartes e em Berkeley, que a formulou explicitamente no seu
célebre “ser é ser percebido”.
Schopenhauer, assim, ao render o seutributo ao cogito cartesiano e ao
idealismo berkeleyano, parte em sua teoria do conhecimento da represen-

1 Professor Adjunto do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná-PUC-PR. Artigo recebido em set/06 e aprovado para
publicação em nov/06.

Trans/Form/Ação, São Paulo, 29(2): 33-42, 2006

33

tação comoprimeiro fato, Tatsache, da consciência. Todavia, a forma primeira e essencial da representação é a divisão em sujeito e objeto, a forma
do objeto sendo o princípio de razão, que reza que “nada é sem uma razão
pela qual é”. Este princípio explica as coisas que nos aparecem, procura um
fundamento, Grund para elas, porém não é passível de explicação alguma,
tal exigência já pressupondo a validade doprincípio. Procurar prova para o
princípio de razão, diz o filósofo, denota ausência de clareza de consciência, pois quem exige uma prova para ele, exige um fundamento, e assim já
o toma como verdadeiro, caindo no círculo que exige a prova do direito de
exigir uma prova.
Ora, se em O mundo... o princípio de razão é a forma do objeto, cabe
perguntar o que, por sua vez, é esse objeto? A resposta:ser-objeto significa
ser conhecido por um sujeito. Por seu turno, ser-sujeito significa ter um objeto. “Tais metades são, em conseqüência, inseparáveis, mesmo para o pensamento: cada uma delas possui significação e existência apenas por e para
a outra; cada uma existe com a outra e desaparece com ela. Elas se limitam
imediatamente: onde começa o objeto, termina o sujeito” (Schopenhauer,
2005,p.46).
Analisar o conceito de sujeito leva necessariamente ao conceito de objeto, e vice-versa. Trata-se de uma ligação analítica entre os dois termos. O
sujeito, porém, não se confunde com o princípio de razão. Aquele que tudo
conhece não é ele mesmo objeto de conhecimento. O sujeito é o “sustentáculo do mundo”, a condição universal e sempre pressuposta de tudo o que
aparece, pois tudo o queexiste, existe para o sujeito; contudo, ocorre com
o sujeito o mesmo que com o olho, que tudo vê, mas não é visto. Isto porque
o sujeito atua em cada entendimento que representa, encontra-se em cada
corpo animal, em cada indivíduo, que são plurais, situados no tempo e no
espaço, mas o sujeito ele mesmo não se encontra fragmentado em nenhuma
dessas formas, que, antes, já o pressupõem viaprincípio de razão. O sujeito
do conhecer é uno e indivisível.
Aquele que tudo conhece mas não é conhecido por ninguém é o SUJEITO. Este
é, por conseguinte, o sustentáculo do mundo, a condição universal e sempre pressuposta de tudo o que aparece, de todo objeto, pois tudo o que existe, existe para o
sujeito. Cada um encontra-se a si mesmo como esse sujeito, todavia, somente na
medida em que...
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