Sátira gregoriana e seus pontos polêmicos.

Páginas: 8 (1886 palavras) Publicado: 22 de maio de 2012
RESENHA DE LITERATURA BRASILEIRA

Sátira gregoriana e seus pontos polêmicos.

Certamente uma das figuras mais controversas da literatura brasileira colonial vem a ser Gregório de Matos e Guerra. Com textos que foram reunidos postumamente cujas origens não são inteiramente conhecidas, para não dizer duvidosas, diversas questões polêmicas são levantadas em torno do conjunto de sua obra.Questões que vão desde a existência do autor como tal às formas como seus textos podem ser interpretados e recepcionados.

O crítico Haroldo de Campos, em seu artigo: “Original e Revolucionário”, nos expõe claramente esse debate em cujo centro está Gregório de Matos e as diversas questões suscitadas pela obra que lhe é atribuída. O crítico não o faz de forma simples ou despretensiosa, mas visandodefender um ponto de vista específico que vai de encontro aos pontos de vista sustentados por outros críticos, aos quais faz alusão diretamente em seu texto. Tais críticos são Alfredo Bosi e João Adolfo Hansen que possuem diversos textos a respeito do Barroco e a respeito da obra gregoriana, dos quais se destacam “Do Antigo Estado à Máquina Mercante” (No livro “Dialética da ColonizaçãoBrasileira”,1992.), de A. Bosi, e “Um Nome por Fazer” (de “A Sátira e o Engenho”, 1989.), do professor Hansen, textos estes que contém os argumentos aos quais Haroldo de Campos se contrapõe no referido artigo.
Os pontos abordados e mais discutidos nos textos são: a originalidade da obra de Gregório de Matos, o que inclui autoria e inventividade; o caráter de sua obra, se conservador, reacionário, ou setrasngressor, reformista e libertário; e ainda a atualidade das questões abordadas nos textos.

A forma como os textos dialogam entre si, embora cada um a seu próprio estilo, é bastante evidente em todos eles, mas o artigo “Original e Revolucionário é o mais explícito, pois o estilo argumentativo de seu autor consiste justamente em expor os pontos abordados pelos demais críticos em seus respectivos textose com os quais não concorda, demonstrando os argumentos sustentados nos outros textos para em seguida descontruí-los. Numa espécie de esquema: tese – antítese – síntese, ele parte do argumento do outro, para, desmontando-o, mostrar a sua posição. Enquanto que os textos de Alfredo Bosi e João Adolfo Hansen são mais expositivos, ficando as contraposições subentendidas.
Ao iniciar seu texto tratandoda questão da originalidade da obra gregoriana, Haroldo já demonstra qual o ponto de vista do professor Hansen a respeito da questão. Para Hansen, o critério originalidade, enquanto ‘novidade estética’ e ‘autoria’, não se aplica ao Barroco e nem à obra gregoriana por ser ser critério exterior à poesia barroca, pois não faz parte do conjunto específico estilístico daquela época, sendo, portanto,também critério anacrônico já que requer uma concepção romântica (posterior ao período considerado barroco) do que seria poético. Haroldo afirma que, com essa posição, Hansen transforma Gregório de Matos em um simples “efeito semiótico do código que manipula”.

A seguir, Haroldo passa a desconstruir um importante argumento do professor Hansen: a originalidade enquanto ‘critério exterior’, ouseja, enquanto critério que não faz parte do contexto histórico da época a qual a obra pertence. O crítico afirma que a expressão utilizada por Hansen pertence ao teórico Guido Morpungo-Tabliabue e que sua idéia de critério exterior exclui considerações históricas na recepção estilística da literatura. Dessa forma, a partir de uma posição assim, não se poderia realizar quaisquer estudos queconsiderassem os efeitos da recepção ao longo do tempo. Segundo Haroldo de Campos, essa limitação coincide com uma sociologia literária “determinista” (de Robert Escarpit) que propões leituras estáticas das obras de arte verbais.
Desta forma, Haroldo equipara a proposta de Hansen a uma proposta determinista e estática que se opõe ao modo de leitura dinâmico preconizado por Auerbach. Afirma ainda que...
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