ruiz-domènec, josé enrique. europa, las claves de su historia

Páginas: 108 (26925 palavras) Publicado: 9 de agosto de 2013
RUIZ-DOMÈNEC, José Enrique. Europa. Las claves de su história. Barcelona: RBA, 2012.

I
Com os olhos limpos
(312-622)
Um homem justo e firme não teme o rosto ameaçador do
tirano, nem se alteraria mesmo se o universo inteiro
ruísse.
Horácio (65-8 a. C.), Odes.

A Europa é o resultado de uma mestiçagem de raças e culturas que teve lugar entre os séculos IV
e VII. Este importante processocomeçou com a civilização pan-mediterrânea, conhecida como
Império Romano, em duas partes: a Ocidental que se dissipou em 476, quando Odoacro (c. 434-493)
destronou o Imperador Rômulo Augústulo (c. 461-476), e a Oriental que tomou seu próprio caminho
com a chegada de Heráclio (c. 575-641) ao trono de Bizâncio; e prosseguiu com a grande migração
dos povos germanos, eslavos e húngaros, aschamadas “invasões bárbaras”.
O eixo horizontal que unia as colunas de Hércules com as terras do Oriente Próximo e o Mar de
Azov foi substituído por outro, que começava na altura de Edimburgo e terminava em Palermo, eixo
noroeste-sudeste que resultaria crucial na história dos séculos seguintes. Como observá-lo? Sabemos
que as estrelas são vigiadas com o telescópio, os insetos com a lupa, uma gotade água com o
microscópio, mas os fatos históricos devem ser apreciados com olhos desnudos.
Essa é uma tarefa laboriosa, artesanal, ou, para expressar-me como Tucídides (460-400 a. C.), “o
testemunho presencial de cada um dos sucessos nem sempre narra o mesmo acerca de ações idênticas,
mas conforme as simpatias por uns e outros, ou conforme sua memória”.
Mudança de direção
A possibilidade deuma mudança de direção na história de Roma foi considerada uma incorreção
política pelas elites dirigentes. Algumas profecias falavam do fim de sua civilização. Por exemplo, a
das doze águias, na qual cada uma delas representava um século de história: Roma duraria doze
séculos desde a fundação de sua cidade, ab urbe condita, que escreveu Tito Lívio (59 a. C. - 17 d. C.).1
Essas palavras,contudo, não convenciam uma sociedade cujo orgulho se expressou nos monumentos e
na engenharia de suas cidades. Ninguém suspeitou então que os monumentos e as obras públicas
seriam meras ruínas com o passar do tempo.
Quando, em pleno Renascimento, começaram a se descobrir as ruínas romanas, o povo se
perguntava: porque ocorreu algo assim? Passamos séculos nos fazendo essa pergunta com êxitoescasso, apesar dos esforços do gravurista veneziano Giovanni Battista Piranesi (1720-1778) em
catalogá-los. O fato é incontestável, pelo menos desde que o Grand Tour no século XVIII tornou moda
a viagem à Itália como ritual de aprendizagem de um europeu culto. Basta visitar o Foro de Roma para
comprovar: esse lugar foi, tempos atrás, o centro do mundo civilizado e hoje é uma paisagem repleta
deruínas, um objeto turístico. Caso nos detenhamos um pouco mais, veremos que, em realidade, é um
espaço de experiência, onde, para dizê-lo como o poeta romântico Novalis (1772-1801) em seus
Fragmentos, se observa a concatenação secreta entre o antigo e o futuro e se aprende a compor a
história a partir da esperança e da recordação.
Fim de Roma, nascimento da Europa: uma equação a ser verificada.Cada época reconstruiu esse
momento conforme seus valores e preconceitos, mas sempre com a mesma moral: a ruína de uma
civilização foi a aurora de outra. O que já foi dito nos últimos duzentos e cinquentas anos, isto é, desde
o Iluminismo até hoje? Citarei dois testemunhos.
1

Trad.: Ricardo da Costa (UFES).

1

RUIZ-DOMÈNEC, José Enrique. Europa. Las claves de su história. Barcelona:RBA, 2012.

Em 1776, Edward Gibbon (1737-1794), após uma longa viagem pela Itália, publicou o primeiro
volume de História da decadência e queda do Império Romano. O livro despertou em Londres tanto
interesse quanto as notícias sobre a revolta nas Colônias da América do Norte e as campanhas de
George Washington (1732-1799). Para Gibbon, a decadência de Roma foi o efeito natural e inevitável...
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