Rubem alves - filosofia da ciência

Páginas: 220 (54827 palavras) Publicado: 1 de agosto de 2012
Rubem Alves





Filosofia da Ciência


INTRODUÇÃO AO JOGO E SUAS REGRAS





Editora Brasiliense


1981



Nota do escaneador:


Este texto foi escaneado, corrigido e editado tendo como referência a edição de 1981. A numeração indicada no texto foi revista inclusive tendo como referência a edição de 2002 feita pela Editora Loyola. Aparentemente o autor desejou seguir umanumeração onde determinada seqüência não foi ou não devia ser seguida. Por exemplo, no Capítulo 2, salta-se de A.1 para E.1 e no Capítulo 11, salta-se o C.1.



“Se um dançarino desse saltos muito altos, poderíamos admirá-lo. Mas se ele tentasse dar a impressão de poder voar, o riso seria seu merecido castigo, mesmo se ele fosse capaz, na verdade, de saltar mais alto que qualqueroutro dançarino. Saltos são atos de seres essencialmente terrestres, que respeitam a força gravitacional da Terra, pois que o salto é algo momentâneo. Mas o vôo nos faz lembrar os seres emancipados das condições telúricas, um privilégio reservado para as criaturas aladas...”


Kierkegaard






“(...) e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.”Moto da comunidade científica, segundo mural do Massachusetts Institute of Technology



Para o Sérgio e o Marcos.


Que a ciência lhes seja alegre,


como empinar papagaios.



Sumário





Capítulo 1


O Senso Comum e a Ciência (I)


Capítulo 2


O Senso Comum e a Ciência (II)


Capítulo 3


EmBusca de Ordem


Capítulo 4


Modelos e Receitas


Capítulo 5


Decifrando Mensagens Cifradas


Capítulo 6


Pescadores e Anzóis


Capítulo 7


A Aposta


Capítulo 8


A Construção dos Fatos


Capítulo 9


A Imaginação


Capítulo 10As Credenciais da Ciência


Capítulo 11


Verdade e Bondade



Capítulo I


O SENSO COMUM E A CIÊNCIA (I)








“A ciência nada mais é que o senso comum refinado e disciplinado.”


G. Myrdal








A.1 O que é que as pessoas comuns pensam quando as palavras ciência ou cientista são mencionadas? Faça você mesmo umexercício. Feche os olhos e veja que imagens vêm à sua mente.


A.2 As imagens mais comuns são as seguintes:


• o gênio louco, que inventa coisas fantásticas;


• o tipo excêntrico, ex-cêntrico, fora do centro, manso, distraído;


• o indivíduo que pensa o tempo todo sobre fórmulas incompreensíveis ao comum dos mortais;


• alguém que fala com autoridade, que sabesobre que está falando, a quem os outros devem ouvir e ... obedecer.


A.3 Veja as imagens da ciência e do cientista que aparecem na televisão. Os agentes de propaganda não são bobos. Se eles usam tais imagens é porque eles sabem que elas são eficientes para desencadear decisões e comportamentos. É o que foi dito antes: cientista tem autoridade, sabe sobre o que está falando e os outros devemouvi-lo e obedecê-lo. Daí que imagem de ciência e cientista pode e é usada para ajudar a vender cigarro. Veja, por exemplo, os novos tipos de cigarro, produzidos cientificamente. E os laboratórios, microscópios e cientistas de aventais imaculadamente brancos enchem os olhos e a cabeça dos telespectadores. E há cientistas que anunciam pasta de dente, remédios para caspa, varizes, e assim por diante.A.4 O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque ele induz o comportamento e inibe o pensamento. Este é um dos resultados engraçados (e trágicos) da ciência. Se existe uma classe especializada em pensar de maneira correta (os cientistas), os outros indivíduos são liberados da obrigação de pensar e podem simplesmente fazer o que os cientistas mandam. Quando o médico lhe dá uma...
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