Revolução copernicana em kant

Páginas: 7 (1527 palavras) Publicado: 1 de outubro de 2012
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH
HG 401 – História da Filosofia Moderna I
Prof. Enéias Junior Forlin
Aluna: Milena Machado Jesus


Primeira Avaliação

1) Explique o significado da “revolução copernicana” em Kant. No que ela se inspira? Qual seu estatuto inicial? Em que precisamente ela consiste? Descreva detalhadamente a suaoperação. Quais as conseqüências que essa operação produz para a metafísica, mencionadas resumidamente por Kant no prefácio?

A Revolução Copernicana em Kant é a percepção, inicialmente hipotética, de que “a razão não compreende senão aquilo que ela mesma produz segundo um projeto seu”[1], ou seja, a percepção de que a razão conforma ativamente as impressões sensíveis de acordo com regraspróprias e que, portanto, “não conhecemos a priori nas coisas, senão aquilo que nós mesmos colocamos nelas”[2], ou seja, só podemos conhecer a priori as regras com as quais a razão estrutura o conhecimento.
A inspiração para tal mudança vem das ciências que encontraram “o caminho seguro”[3], nomeadamente a física e a matemática. Kant vê que, ao contrário destas, a metafísica não encontrou talcaminho, pois seus diversos colaboradores não concordam entre si em seus métodos, se corrigem o tempo todo e pouco progridem, trabalham com conceitos vazios sem correspondência na intuição e, por isso, acabam se engendrando em contradições. Kant identifica que ciências, apesar de já terem passado por momento semelhante em sua história, conseguiram abandonar esse “andar tateante” por conta de umarevolução do método, que, em última análise, nada mais é do que a idéia que na experiência o objeto se adequa à razão e não o contrário. Afinal, é isto um experimento científico: forçar a natureza a responder suas perguntas, a partir de leis ou parâmetros que se assume de antemão. Assim, Kant procura aplicar tal método a metafísica e, para tanto, propõe um experimento análogo ao de Copérnico. Esse,ao perceber que uma cosmologia com a Terra no centro não conseguia dar conta de explicar os fenômenos observados, inicialmente a título de hipótese, colocou a Terra a girar e resolveu as inconsistências que a antiga cosmologia gerava: ousou “procurar – de maneira contrária aos sentidos e, não obstante, verdadeira – a explicação dos fenômenos observados, não só nos objetos do céu, mas noespectador.”[4] Kant vai, então, fazer movimento parecido: não sendo possível conhecer nada a priori tentando fazer a razão se adequar à natureza dos objetos, como até mesmo o prova a história da metafísica, vale a pena testar a hipótese de que é o objeto que deve se adequar à nossa razão, e não o contrário.
Essa mudança de método na metafísica produz conseqüências imediatas. Em primeiro lugar, permiteprova suficiente da possibilidade do conhecimento a priori. Afinal, se em tudo o que eu conheço há um componente ativo da razão, há, portanto, um elemento a priori a ser conhecido: o que não é possível dizer partindo do princípio que nossas representações são correspondentes às coisas em si. Em segundo lugar, permite que sejam demonstradas as leis que regem a priori a experiência, pois as coloca narazão, não no objeto.
Porém, com a possibilidade do conhecimento a priori nestes termos, jamais podemos conhecer além da experiência, ou seja, não é possível conhecer as coisas em si mesmas. Isso, que a princípio pode parecer uma negação, na verdade possibilita uma contraprova[5] de sua tese: ela torna possível que o incondicionado seja pensado sem contradição. Pois, se considerarmos que nossasrepresentações são correspondentes às coisas em si, pode-se tanto pensar a necessidade de um incondicionado, quanto a não existência de um. Mas, se considerarmos que nossas representações não são correspondentes à coisa em si, não há contradição: o incondicionado não estaria em nossas representações (essas sim, encadeadas em causa e efeito necessariamente, por exigência da razão), mas sim na...
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