Revista 06

Páginas: 62 (15393 palavras) Publicado: 29 de julho de 2015
REVISTA REDAÇÃO
PROFESSOR: Lucas Rocha
DISCIPLINA: Redação

06
DATA: 16/02/2014

O risco do radicalismo (SÉRGIO PARDELLAS)
A morte do cinegrafista Santiago Andrade, fruto da inaceitável violência dos black blocs, revela o despreparo da polícia
para lidar com extremistas e coloca o País diante do desafio de conter o vandalismo sem atentar contra liberdades
democráticas

TRAGÉDIA ANUNCIADA - Naquinta-feira 6, os black blocs Fábio Raposo e Caio Silva acenderam e dispararam o
rojão que atingiu e matou o cinegrafista Santiago Andrade

UM DOS principais militantes anarquistas do século XIX, Sergei Nechaev criou em 1869, em Moscou, o grupo terrorista
Narodnaya Rasprava, que pregava a realização de atos de assassinato de grandes figuras políticas e práticas de terrorismo
contra a burguesia e aimprensa com o objetivo de estimular insurreições populares. Exatamente um século depois, em
dezembro de 1969, inspirados nas ideias de Nechaev, grupos terroristas da Itália, com a pretensão de desestabilizar a
ordem política do pós-guerra, promoveram uma ação que ficou conhecida como o ―Atentado à Piazza Fontana‖, detonando
uma bomba que destruiu o Banco Nacional de Agricultura, em Milão, matou 16pessoas inocentes e deixou outras 88
feridas.
Nada disso, afora a inspiração anarquista dos atos e o clamor popular que se seguiu às mortes na Itália, se assemelha
ao que ocorreu há duas semanas no Rio de Janeiro. Na quinta-feira 6, o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV
Bandeirantes, que registrava o confronto entre manifestantes e policiais durante protesto contra o aumento da passagemde
ônibus, no centro da cidade, foi atingido na cabeça por um rojão lançado por dois integrantes do grupo Black Bloc – linha de
frente das manifestações que lançaram o Brasil, desde junho do ano passado, na maior convulsão social experimentada em
décadas. Em consequência do ataque, Andrade sofreu afundamento do crânio e faleceu na segunda-feira 10.
Convém delimitar bem os dois episódios para não secometer equívocos históricos que resultem em diagnósticos
errados e embalem soluções políticas inapropriadas. O que se configurou na Itália em 1969 foi puro ato de terrorismo, no
sentido preciso da palavra, porque sua intenção era a de provocar terror, morresse quem morresse, uma criança ou um

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homem, jornalista ou político. No Rio, a situação foioutra. Na esteira das manifestações de junho passado, quando a
sociedade tomou as ruas demonstrando um mal-estar difuso, vândalos e arruaceiros, muitos deles influenciados por ideais
punks e anarquistas, como os black blocs, se apossaram dos movimentos e promoveram radicalismos inaceitáveis,
criminosos, mas que, nem de longe, podem ser classificados como ações terroristas que ameaçam a ordeminstitucional do
País. A democracia brasileira segue firme. Na última semana, porém, muitas vozes se levantaram no esforço de encontrar
paralelo entre atos terroristas do passado e o que aconteceu na quinta-feira 6, ou seja: um vandalismo que culminou na
morte trágica do cinegrafista. Ato contínuo a essa equivocada percepção, entabularam-se medidas que, se levadas adiante,
nos fariam adentrar nopantanoso terreno da ameaça às liberdades democráticas. O desafio das autoridades, agora, é
encontrar meios de conter e punir com rigor o vandalismo nas manifestações. Mas sem atentar contra as preciosas
liberdades que o País tanto lutou para alcançar.

A indignação e a consternação provocadas pelas circunstâncias da morte de Santiago Andrade se transformaram no
catalisador para aprovar às pressas, porexemplo, uma lei que será extremamente deletéria se mantido o seu atual texto, a
chamada lei antiterrorismo. No Projeto de Lei 499/2013, em tramitação no Senado, com o apoio de setores do governo
federal, do próprio PT e da oposição, as definições para o crime de terrorismo são as seguintes: ―Provocar ou infundir terror
ou pânico generalizado mediante ofensa ou tentativa de ofensa à vida, à...
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