resumo say

Páginas: 21 (5019 palavras) Publicado: 18 de janeiro de 2015
1. Introdução
Imagine que você jamais tenha escrito ou dito a frase "os eleitores brasileiros são idiotas" e que você não pense desta forma, mas que, por diversos motivos, venha a ficar famoso, quase dois séculos depois de sua morte, exatamente por terem afirmado repetidamente que você pronunciou essa frase. Pois é o que acontece com a Lei de Say, que jamais escreveu que "a oferta cria a suaprópria procura", mas que é inevitavelmente conhecido por ter escrito algo que nunca escreveu.
Poucos postulados da economia deram margem a tantas interpretações equivocadas, algumas por incapacidade de entender as coisas simples, outras por solércia, quanto o que se tornou conhecido como Lei de Say. Principalmente depois que Keynes a deturpou na Teoria Geral (porque precisava, em conformidade comseus padrões éticos, proceder desse modo para construir sua "nova economia"), gerações sucessivas de estudantes, que depois se tornam professores e economistas, repetem qual papagaios o refrão "a oferta cria a sua própria procura", sem jamais terem lido uma página sequer de Say. É constrangedor quando uma mentira se transforma em um apotegma.
Este artigo não tem a pretensão de ser original. Seusobjetivos são tão somente o de tornar mais acessível na língua portuguesa e de maneira não deturpada as ideias de um grande economista, o de mostrar como Keynes distorceu suas ideias, o que gerou e ainda gera grande confusão sobre o que ele realmente escreveu e, por fim, argumentar no sentido de que ele pode ser considerado sem nenhum favor como um importante precursor da Escola Austríaca deEconomia. Nele, descrevo análises sobre Say e sua  obra e acrescento informações que acredito sejam importantes para caracterizar Say como um austríaco, ou um pré-austríaco, mas de qualquer forma um homem à frente dos demais de seu tempo.
De fato, o economista francês Jean-Baptiste Say (1767-1832) pode sem dúvida ser considerado como um dos mais importantes predecessores da Escola Austríaca. Nascido emLyon, foi enviado para a Inglaterra para completar seus estudos e viveu em Croydon e depois em Genebra e Londres, onde trabalhou no comércio. Posteriormente, voltou a seu país natal, para trabalhar em uma companhia de seguros. Fortemente influenciado pela obra de Adam Smith, especialmente pela ardorosa defesa do livre comércio que caracterizou o pensador escocês, entre 1794 e 1800 foi editor doperiódico La Decade philosophique, litteraire et politique, que se dedicava a defender as vantagens do livre mercado e a criticar o intervencionismo.
Discípulo de Adam Smith, Say fez muito para divulgar o trabalho do escocês no continente Europeu, embora  A Riqueza das Nações tenha sido traduzida para o francês quando Say tinha apenas 12 anos de idade. Assim como Smith, Say criticou fortemente asdoutrinas do mercantilismo (ou, para os franceses, colbertismo) e procurou substituí-las pelo pensamento mais liberal. Teve a alegria de ver seu livro passar por cinco impressões durante sua vida. O Traité era tão popular nos Estados Unidos que a tradução em inglês serviu como um texto padrão de desenvolvimento econômico em faculdades e universidades americanas durante grande parte do século XIX.Em 1800, publicou Essai sur les moyens de reformer les moeurs d'une nation, mas foi em 1803 que publicou aquela que é considerada sua maior obra, o Traité d'économie politique ou simple exposition de la manière dont se forment, se distribuent et se composent les richesses, cuja 6ª edição, de 1841, pode ser lida neste link. Em 1814, publicou  uma segunda edição da obra, dedicada ao imperadorAlexandre I da Rússia, que tinha declarado ser seu pupilo. No mesmo ano, o governo francês o enviou para estudar a economia do Reino Unido e o resultado dessa viagem foi o pequeno livro De l'Angleterre et des Anglais. Em 1817 publicou a terceira edição de seu Traité. O Conservatório des Arts et Métiers  criou uma cadeira de Economia Industrial para ele em 1819 e em 1831  foi nomeado professor de...
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