Resumo do texto escolarização de jovens e adultos

Páginas: 9 (2193 palavras) Publicado: 8 de abril de 2012
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VANDERLEI ELIAS NERY Doutorando em Ciências Sociais pela PUC/SP, pesquisador do NEILS. compartilhe... indique este artigo... |
| | Currículo como processo vivenciado na escolaVanderlei Elias Nery[*]Para falar sobre o currículo escolar, devemos perguntar: O que é currículo? A resposta pode variar muito e até ser antagônica, dependendo da visão de mundo que se tem. Muitos consideramcurrículo apenas a grade curricular, ou seja, a divisão em disciplinas e os conteúdos trabalhados por elas. Trabalharemos, neste texto, com uma visão que considera todo o processo vivido na escola como componente do currículo.A partir da resposta acima devemos situar o papel da escola em uma sociedade dividida em classes sociais. Althusser (1983) foi um dos primeiros autores a chamar a atenção para opapel da escola a partir deste viés. Este autor situa a escola como Aparelho Ideológico de Estado (AIE). O que isso quer dizer? Para Althusser, a escola é um instrumento da classe economicamente dominante, detentora do poder político, para a reprodução das relações sociais que favorecem a continuidade desta classe no poder, e consequentemente mantém as relações de dominação e submissãoexistentes.Qual o instrumento que possibilita esta reprodução na escola? O currículo. Como? São várias as maneiras. Trabalharemos algumas delas. No geral, a percepção que nós temos sobre o processo de reprodução social e inculcação ideológica que acontece na escola se dá pelos conteúdos transmitidos, principalmente nas disciplinas da área das humanidades. Não desprezamos aqui este fato, porém tentaremosdemonstrar que, para além desta área, todo o processo educativo escolar está impregnado pela ideologia dominante. Vejamos.Nossas escolas, no geral, são organizadas de forma hierárquica, assim como nossa sociedade. Geralmente, o diretor é a figura central da escola, é aquele que deve dar a palavra final sobre todos os assuntos. Na escola, ele aparece como quem elabora e determina o que os professores,funcionários, alunos e pais devem fazer. Sabemos que isto é muito mais um mito que realidade, pois o diretor também está submetido a uma hierarquia rígida, a qual vem determinada pelos órgãos que gerenciam os sistemas educacionais, em geral as secretarias de educação (PARO: 1997). Mesmo com esta ressalva, na escola o diretor aparece como a figura preponderante, aquele que detém o poder. Ora, essapostura tem consequência na formação das crianças e jovens, pois para estes o diretor representa a autoridade máxima da escola, o que vai acostumá-los à hierarquia que vão encontrar na sociedade, principalmente no mundo do trabalho, ao qual, mais cedo ou mais tarde, a maioria dos jovens se submeterá (PARO: 2001).Mas a reprodução não para por aí. O que ensinamos às crianças e jovens quandopré-estabelecemos regras, às quais eles devem obedecer cegamente, sem questionamentos? O que ensinamos quando determinamos horários? Não quaisquer horários, mas de entrada, de troca de aula, de saída, com aquele sinal “maravilhoso”, tocando a cada 45 ou 50 minutos? O que ensinamos quando, no primeiro ano do ensino fundamental, no qual as crianças agora têm seis anos, as colocamos em fila indiana, mandamos quecantem o hino nacional, e depois subam em fila, em silêncio, e que, ao chegar à sala de aula, sentem em suas carteiras, sendo estas organizadas bem separadas e uma atrás da outra? Muitos exemplos poderiam ser citados aqui, mas estes já podem dar um quadro razoável do que queremos demonstrar. Todos esses ensinamentos servem para moldar as crianças e jovens à vida em uma sociedade hierarquizada,competitiva, individualista, em que a busca da realização deve se dar de forma solitária, sobrepujando a tudo e a todos (NIDELCOFF: 1993).Até aqui falamos da organização da escola. Mas não é só aí que se dá a reprodução social. Qual o papel das disciplinas e do processo de ensino-aprendizagem? Para fugirmos dos lugares comuns, começaremos por aquelas disciplinas que todos julgam isentas,...
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