Resumo do mito a razão

Páginas: 8 (1791 palavras) Publicado: 28 de abril de 2013
Referências
VERNANT, J.P., Mito e Pensamento entre os Gregos, cap. VII Do Mito à Razão, SP: Difel/Edusp, 1973.
Do Mito à Razão
O nascimento da filosofia, na Grécia, marcou assim o começo do pensamento científico, -- poder-se-ia dizer simplesmente: do pensamento. Tal é o sentido do milagre grego: através da filosofia dos jônios, reconhece-se a Razão encarnada no tempo. O aparecimento dos logosintroduziria, portanto na história uma descontinuidade radical. Viajante sem bagagem, a filosofia viria ao mundo sem passado, sem pais, sem família; seria um começo absoluto. Nesta perspectiva, o homem grego acha-se assim elevando acima de todos os outros povos, predestinado; nele se encarnou o logos, “Se inventou a filosofia, opinava ainda Burnet, deve-o às suas qualidades de inteligênciaexcepcionais: o espírito de observação aliado ao poder do raciocínio”. Opondo-se a Burnet, Cornford mostra que a física jônia nada tem de comum com o que nós designamos por ciência: ignora inteiramente a experimentação e não é tampouco o produto da inteligência observando diretamente a natureza. As cosmologias dos filósofos retomam e prolongam os mitos cosmogônicos. Dão uma resposta ao mesmo tipo depergunta: como pode emergir do caos um mundo ordenado? Utilizam um material conceitual análogo: por detrás dos elementos dos jônios, perfila-se a figura de antigas divindades da mitologia. O mesmo tema mítico de ordenamento do mundo repete-se aí, com efeito, sob duas formas que traduzem níveis diferentes de abstração. Em uma primeira versão, a narrativa descreve as aventuras de personagens divinas:Zeus luta pela soberania contra Tião, dragão de mil vozes, força de confusão e de desordem. Zeus mata o monstro, cujo cadáver dá nascimento aos ventos que sopram no espaço separando o céu da terra. Depois, incitado pelos deuses a tomar o poder e o trono dos imortais, Zeus reparte entre eles as honras. Através do rito e do mito babilônios, exprime-se um pensamento, que não estabelece ainda entre ohomem, o mundo e os deuses, uma nítida distinção de planos. O poder divino concentra-se na pessoa do rei. O ordenamento no mundo e a regulação do ciclo das estações aparecem integrados na atividade real: são aspectos da função de soberania. Natureza e sociedade estão confundidas. Na segunda versão do mito, reconhece-se a estrutura de pensamento que serve de modelo a toda a física jônia. Cornford dáesquematicamente a seguinte análise: 1º) no começo, há um estado de indistinção onde nada parece; 2º) desta unidade primordial emergem, por segregação, pares de opostos, quente e frio, seco e úmido, que vão diferenciar no espaço quatro províncias: o céu de fogo, o ar frio, a terra seca, o mar úmido; 3º) os opostos unem-se e interfere, cada um triunfando por sua vez sobre os outros, segundo umciclo indefinidamente renovado, nos fenômenos meteóricos, na sucessão das estações, no nascimento e na morte de tudo o que vive plantas, animais e homens. Os filósofos precisaram inventar um sistema de explicação do mundo: acharam-no já pronto. Já não se trata apenas de encontrar na filosofia o antigo, mas de destacar o verdadeiramente novo: aquilo que faz precisamente com que a filosofia deixe de sermito para se tornar filosofia. Deve-se, por conseguinte, definir a mutação mental de que a primeira filosofia grega dá testemunho, precisar a sua natureza, a sua amplitude, os seus limites, as suas condições históricas. Entre os físicos, positividade invadiu de súbito a totalidade do ser, sem executar o homem nem os deuses. Tudo o que é real é Natureza. E essa natureza, separada do seu pano defundo mítico, torna-se ela próprio problema, objeto de uma discussão racional. A Natureza, physis, é força de vida e de movimento. Mas, entre os jônios, os elementos naturais, tornados abstratos, já não se podem unir por casamento, à maneira dos homens. Assim, a cosmologia não modifica somente a sua linguagem, mas muda de conteúdo. Em vez de descrever os nascimentos sucessivos, definiu os...
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