Resumo do livro: religião, utopia e esperança

Páginas: 5 (1004 palavras) Publicado: 16 de outubro de 2012
Religião, Utopia e Esperança

Lutero - quem diria! - deu o ponta-pé inicial colocando a própria religião em maus lençóis. Com a Reforma, inaugura-se, quase efetivamente, a era da racionalidade, abrindo caminhos tenebrosos em direção à crítica fomentada (graças aos orientais árabes), principalmente, no século XIX pelos chamados “Cavaleiros do Apocalipse”. Daí para frente, tudo o que dizrespeitos às coisas sagradas, a transcendência, ao metafísico, tudo o que diz respeito ao campo religioso, se torna objeto de questionamentos incisivos e perturbadores. Isso ameaçou a experiência religiosa confiscando seu lugar no mundo sensível e palpável. A ciência insurge juntamente com o desenvolvimento da tecnologia e se torna a mais adorada deusa da (pós?) modernidade. Parece que nenhum discursoreligioso subsistirá a essa força realista e racionalista da razão sobrepõe à fé, e ela tende a desaparecer.

Mas talvez haja esperança. E, se tratando de esperança, recomendaria a leitura de um livrinho muito interessante escrito por Pedro César kemp Gonçalves, chamado Reflexões sobre a religião como utopia e esperança. Do autor, quase nada descobri, pelo menos ainda não, mas com certeza essasreflexões se fazem extremamente válidas em nossos dias onde vemos um descarte do “homo religiosus”. A religiosidade parece ter cheiro de coisa velha, arcaica, primitiva, atrasada. No entanto, Gonçalves busca manter vivo aquilo que, segundo ele, é parte constitutiva do ser.

Na primeira parte do livro, trata do fenômeno religioso. Procura mostrar, através de uma perspectiva histórico-antropológica,ser a religião, algo que surge atrelada às descobertas do próprio homem. Em sua evolução no decurso da história, é ela, um sentimento que emana das necessidades mais profundas da vida: a subsistência, o sentido da vida, a morte, questões existenciais. Acompanha, portanto, o desejo do homem pela transcendência.

“Não se entende a religião senão profundamente relacionada com o agir e existirdaquele que reza, inclina-se, transforma objetos em símbolos e constrói templos”(GONÇALVES-1985)

Em sequência, procura identificar a religião como construção imaginária. Sua perspectiva é antropológica, principalmente, quando configura a experiência religiosa como produção do próprio homem numa projeção, numa dimensão “invisível e misteriosa”. A imaginação é a palavra chave nessa parte do livro,mostrando que “diferentemente do animal, que possui uma vida interior idêntica a exterior, o homem constitui-se de uma vida interior diversa do exterior”. Aqui também, o autor passa a responder à pergunta “Porque os homens fazem religião?”. Uma pergunta com várias respostas que, segundo o autor, são respondidas sem a compreensão do que seja ou do que signifique a religião para o homem. Apresenta osquestionamentos de Comte, Marx, Feuerbach e Freud, os grandes questionadores da religiosidade humana. Assim responde as conhecidas rajadas de ceticismo dessas mentes brilhantes:

“Apesar de estar intimamente ligada às expressões da imaginação, o sentimento religioso não desaparece com o desvendar das coisas inexplicáveis feito pela ciência. Nem mesmo com o mundo mais controlável pelatecnologia, pois o homem ainda sente a necessidade de utopias. Necessita de algo que o faça olhar sempre para frente, que faça com que sua vida mereça ser vivida, que responda às indagações existenciais e corresponda aos desejos.” (GONÇALVES-1985).

No terceiro capítulo do livro, nos é apresentado a religião como esperança. É a confirmação do homo sperans e sua “abertura para o absoluto”, para a“transcendência”, o que distingue seu projeto imaginário de qualquer outro, pois é nela que se vê “ a marca que ilumina a realidade do ser humano: a necessidade de que a vida faça sentido, e plena realização dos projetos no futuro.” Parece que encarar a vida pressupondo um futuro realizável, ainda que imaginariamente, demonstra ser uma ferramenta viável para o homem religioso. Ele “molda sua vida para o...
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