RESENHA: A Infância Como Construção Social

Páginas: 11 (2747 palavras) Publicado: 8 de abril de 2014
RESENHA: A Infância Como Construção Social

No capítulo escrito por Manuel Pinto, do livro “As crianças: contextos e identidades”, o autor discute sobre o tema “a infância como construção social”. Fala da sua pretensão em refletir sobre a naturalidade que caracteriza a infância. Discute também, sobre as conclusões de alguns estudos históricos antropológicos que falam como a infância possui umaimportante dimensão de construção social.
Opiniões diferentes sobre a infância é alvo da fala de pesquisadores e opiniões de senso comum. Segundo Pinto, para alguns, a criança deve ser inserida no mundo do adulto e na opinião de outros, a criança precisa ser protegida em relação a esse mundo adulto.
O autor subdivide esse capítulo em subtítulos. O primeiro é “uma perspectiva histórica sobrea infância” nele aborda a questão da infância partindo de um ponto de vista histórico. Ele cita Phillipe Ariès em seu estudo “História Social da Infância e da Família”. Destaca em seu trabalho em subitens e resumidamente as idéias sustentadas na obra de Ariès:
• Distinção entre infância e idade adulta tomando forma a partir dos finais do século XVII e especialmente do século XVIII, em algunssetores da aristocracia e da burguesia;
• Indícios de diferenciação entre criança e adulto já no século XVI, mas “nas classes superiores da sociedade”;
• Representação das crianças medievais como homúnculos;
• Persistência dos antigos modos de vida e de concepções de infância quase até aos nossos dias, entre as classes populares.
Segundo Pinto, a inexistência, em séculos passados, do que Arièscunhou como sentimento de infância, não significa que os adultos desprezavam ou negligenciavam as crianças, pois embora pudesse não haver a noção moderna de infância, a existência da afeição do adulto pela criança não pode ser desconsiderada. Por outro lado, ressalta que a incorporação da criança na sociedade adulta (isto é, nas suas atividades e afazeres) acontecia precocemente, à medida que acriança ia adquirindo “certo grau de discernimento de si e do mundo”; tal transição, supõe, deveria iniciar por volta dos sete anos – idade que a igreja considerava que a criança já teria atingido “algum uso da razão”.
Ainda valendo-se de Ariès, Pinto expõe a conexão entre a constituição da categoria de infância e a preocupação pedagógica, argumentando que a escola medieval não se destinava a educara infância e, por isso, era indiferente à distinção e separação das idades.
O interesse pela educação infantil, e a conseqüente separação gradual da infância em relação à sociedade adulta, está associado ao surgimento da imprensa e o procedente interesse pela alfabetização, isso tudo no contexto de mudanças sociais e de ascensão da burguesia mercantil. Esse interesse acarreta o reconhecimentoda necessidade de proteção e de formação da criança, que passa a estar progressivamente sob a responsabilidade de instituições específicas, escalonadas por níveis etários. A educação das crianças, “desde o século XVIII até os nossos dias”, passa a utilizar como estratégia, alternadamente, ternura e severidade.
A concepção de infância como uma construção social tem sido ainda marcada peloprogressivo reconhecimento de que as próprias crianças participam da sua determinação.
Pinto abre a discussão sobre a preocupação cada vez maior no sentido de responsabilizar a sociedade pela a proteção a crianças abandonadas e criminalizadas. Segundo ele, Isso ocorre devido à separação de adultos e crianças nas classes ricas através da freqüência a escola e nas classes pobres com o trabalho infantilque era realidade naquele tempo e continuou por um longo período.
Com a Revolução Francesa consagrou a responsabilização a sociedade em proteger a criança, como fala o autor “pelo menos em nível legal”, quando emerge as idéias de um plano de direitos e deveres individuais e a necessidade de educação para todos. Ocorrem mudanças com o programa que institui a laicidade na escola, sendo essa...
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