resenha - a culpa é de fidel

736 palavras 3 páginas
A Culpa é do Fidel começa com um grupo de crianças à mesa de um enorme jardim. Entre elas está Anna (Nina Kervel), protótipo de dama que ensina seus coleguinhas a comer frutas usando garfo e faca. Enquanto as outras crianças lutam – com a falta de jeito típica dos primeiros anos – com os talheres, Anna se orgulha dos pedaços perfeitamente simétricos em que fatiara sua laranja, e olha para a falta de habilidade dos outros com um professoral desdém. Se nessa primeira seqüência a garota é professora, a laranja é a fruta que retornará como metáfora da riqueza do mundo quando, na segunda metade do filme, um dos amigos comunistas de seu pai (Fernando, interpretado pelo italiano Stefano Accorsi) tenta ensiná-la os princípios do comunismo. “Algumas pessoas querem ficar com a laranja inteira”, diz, “mas nós acreditamos que ela deva ser repartida”. Ele parte a fruta com as mãos e oferece um dos pedaços a Anna, que o devora sem reservas ou elegância.
Esse tipo de repetição se torna um padrão ao longo da hora e meia da estréia na ficção de Julie Gavras, filha do grego Costa Gavras. Se o título do filme já indica o conflito pelo qual passará a jovem protagonista, a diretora não se furta a reiterá-lo plano após plano: assim como George Orwell escolhe animais para reduzir as questões políticas que metaforiza em A Revolução dos Bichos a valores de convivência, Julie Gavras toma o ponto-de-vista de uma criança para travestir uma oposição de sistemas políticos com nomes atraentes como solidariedade, compaixão e justiça. Mas Anna é uma garota esperta, e garotas espertas não se contentam com explicações parciais. Para ser convencida da beleza do rumo político escolhido pelos pais – o mesmo que a tirara de uma casa enorme, com um bonito jardim e uma criada de quem gostava – eles precisarão de mais do que meias-palavras.
Isso não significa, porém, que essas palavras não serão sempre as mesmas. Pois A Culpa é do Fidel logo deixa bastante claro não estar interessado em passar da

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