Resenha - nordestino: uma invenção do falo - uma história do gênero masculino (nordeste 1920/1940).

Páginas: 7 (1572 palavras) Publicado: 9 de novembro de 2012
Nordestino: uma invenção do falo - uma história do gênero masculino (Nordeste 1920/1940). ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. Maceió: Edições Catavento, 2003. 256 p.
Natanael Vieira de Souza, Lourenço Ladeia Peruchi, Mayara Laet Moreira[1].
Sob orientação do Prof. Ms. Clementino Nogueira Sousa, UNEMAT (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATOGROSSO)

A presente resenha tem por objetivo fazer umaoperação historiográfica a partir da obra de Durval Muniz – Nordestino uma invenção do falo uma história do gênero masculino (Nordeste 1920/1940), problematizando o discurso historiográfico presente na obra de Gilberto Freyre “Ordem e Progresso”, no qual o autor questiona a relação binária presente em sua prática discursiva e os discursos historiográficos feministas sobre a questão de gênero.
Oprimeiro passo dessa operação é dar visibilidade ao lugar social do discurso (quem fala, de onde fala e pra quem fala?). Durval Muniz de Albuquerque Júnior é Doutor em História Social pela Universidade Estadual de Campinas; Pós-Doutor em Educação pela Universidade de Barcelona, professor adjunto do Departamento de História e Geografia da Universidade Federal de Campina Grande; membro do corpo docentedos Programas de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco, de Sociologia de Campina Grande e Universidade da Paraíba; tem experiência na área de História, com ênfase em Teoria e Filosofia da História, atuando principalmente nos seguintes temas: gênero, nordeste, masculinidade, identidade, cultura, biografia histórica e produção de subjetividade; atual presidente da ANPUH.Feitas tais considerações sobre o lugar social do discurso, queremos agora demonstrar o movimento do autor nesta obra. O autor estrutura seu trabalho em dois capítulos (A feminização da sociedade e A invenção de um macho), trabalhando com a seguinte problemática: qual o efeito discursivo da modernidade na tradição, na relação de gênero, na vida urbana/campo, na condição masculina e feminina, nopatriarcalismo, no nordestino, entre outros.
Para dar conta destra trama discursiva, Durval Muniz elege o método arqueogenealógico e algumas fontes para problematizar o efeito discursivo da modernidade no imaginário da sociedade patriarcal. Nesse sentido o autor se utiliza de um extenso corpo documental que inclui a imprensa, jornais, literatura, cronistas e folcloristas, particularmente uma análisecrítica sobre a obra de Gilberto Freyre, fazendo uma análise historiográfica, permitindo a descoberta de outras subjetividades até então pouco visíveis. O seu recorte temporal ocorre entre as décadas de 1920 e 1940 do século XX, recuperando um mosaico de pequenas referências esparsas com as quais dialoga no litoral e no sertão, nas cidades e no interior do Nordeste, trazendo a tona o que estavasubmerso.
Por outro lado inspirado em Michel Foucault ele analisa as construções discursivas que constituíram uma figura masculina neste campo de força entre a modernidade e a tradição. Ou seja, ele analisa o modo como o saber se dispõe, vai se constituindo, fabricando temas e produzindo verdades. Portanto, Durval Muniz pensando com Foucault nos revela que aquilo que foi tomado como evidente enatural biológico foi um saber produzido que ocupa um lugar e possui uma marca. Por isso nos deparamos em seu texto com críticas, transformações e até mesmo “destruições” de um saber que fora construído como verdade única. Em suma, Durval Muniz denuncia a relação entre verdade, saber e poder, desestabilizando, dessa forma, as evidencias e dando visibilidade a outras possibilidades, outras dimensões.Fundamentado neste corte epistemológico foucaltiano o autor define o objetivo do seu trabalho, operando em dois registros; ao nível das estratégias (saberes produzidos) que definiram uma forma de ser para o nordestino, uma visibilidade e uma dizibilidade; e ao nível das práticas cotidianas dos homens nesse espaço, para manipular, utilizar, alterar estas estratégias. O autor seguiu memórias de...
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