Resenha de "As limitações do método comparativo da Antropologia", de Franz Boas

Páginas: 5 (1040 palavras) Publicado: 16 de maio de 2014
Nesse importantíssimo texto, Franz Boas sintetizou de forma brilhante o método comparativo da Antropologia e o porquê de ele não nos servir muito bem.
Partindo da introdução, o autor já apresenta uma descoberta crucial para a antropologia moderna, quando escreveu que “A sociedade humana cresceu e se desenvolveu de tal maneira por toda parte, que suas formas, opiniões e ações têm muitos traçosfundamentais em comum”. Isso diz, basicamente, que existem leis fundamentais que regem o desenvolvimento das sociedades. Ou seja, toda e qualquer cultura se desenvolverá até o ponto que descobrirá características que são comuns a todos os grupos.
Resumindo a história da Antropologia, Franz Boas coloca o acontecimento dessa descoberta como um divisor de águas. Segundo ele, antes dissoacreditava-se que a disciplina só servia para escrever sobre os costumes e as crenças de povos estranhos e para falar sobre as interações e afinidades entre povos antigos. Hoje, já há alguns antropólogos que acreditam que isso é função do historiador.
Juntamente com as mudanças na concepção da antropologia, vieram mudanças radicais de métodos. E é sobre isso que o texto foca a partir daí. “Enquanto,anteriormente, identidades ou similaridades culturais eram consideradas provas incontroversas de conexão histórica ou mesmo de origem comum, a nova escola se recusa a considerá-las como tal, interpretando-as como resultado do funcionamento uniforme da mente humana.”. Boas explica: os mesmos fenômenos estão presentes nos mais diversos povos. Ou seja, mesmo nos povos mais isolados e distantes, onde seriaimprovável a conexão histórica, esses fatores se desenvolvem. Ou seja, quando se analisa traços semelhantes entre culturas distantes, pressupõe-se que eles se originaram independentemente, e não de uma fonte histórica comum.
O texto afirma que as ideias universais não existem de forma idêntica em toda parte, mas variam. Ou seja, uma mesma característica é comum entre duas sociedades, mas, noentanto, em cada uma delas, houve uma série de fatores que levaram aquela característica a se desenvolver daquela forma. A função do antropólogo é identificar quais fenômenos modificam as leis naturais e como isso ocorre.
Um método muito utilizado por antropólogos modernos, Boas afirma, é isolar e classificar as causas, agrupando as variantes de certos fenômenos etnológicos de acordo com ascondições externas sob as quais vivem os povos ou sobre as influências internas (mentais e psicológicas). Assim, se é possível encontrar condições correlatas de vida.
No entanto, ainda é muito difícil de se localizar quais são exatamente as origens dessas ideias culturais universais. Franz Boas chega a afirmar que esse é o problema mais difícil da antropologia e que ainda teremos de conviver com ele porum bom tempo.
O que não se pode, apesar disso, é simplificar esse debate. Por exemplo, presumir que, se um mesmo fenômeno desenvolveu-se independentemente em comunidades distantes, esse desenvolvimento é o mesmo em toda parte. Esse é um argumento de fácil refutação: usando o exemplo dos desenhos geométricos. Por mais que esses desenhos existam em várias sociedades, em cada uma delas, surgiu deuma origem diferente: em algumas por razões técnicas, em outras por representarem símbolos etc.
Portanto, conclui o autor, para se estudas as ideias universais, devemos, antes investigar se essas ideias surgiram de forma semelhante em todas as sociedades. Ou seja, antes de se iniciar com as comparações mais amplas e complexas, deve-se analisar a comparabilidade das questões.
Depois de toda essacrítica ao método comparativo, Boas introduz o que, para ele, é um método muito mais seguro.

O estudo detalhado de costumes em sua relação com a cultura total da tribo que os pratica, em conexão com uma investigação de sua distribuição geográfica entre tribos vizinhas, propicia-nos quase sempre um meio de determinar com considerável precisão as causas históricas que levaram à formação dos...
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