Resenha da civilização feudal de Jerome Baschet

Páginas: 11 (2638 palavras) Publicado: 5 de fevereiro de 2015
Resenha do livro “A civilização feudal: do ano 1000 à colonização da América” de Jérôme Baschet.

Jérôme Baschet mostra a concepção de uma longa Idade Média que substitui a falsa ideia de ás trevas do obscurantismo. Trata-se também de articular de maneira global a sociedade medieval e sociedade colonial e de captar a dinâmica histórica que os une em um processo em que se misturam reprodução eadaptação, dependência e especificidades, dominação e criação. Sendo assim, o livro tem como eixo principal a análise dessa dinâmica de expansão e de dominação que se afirma na Europa Medieval e que a conduz, consequentemente, às terras americanas.
Segundo Jacques Le Goff, Jéromê Baschet divide o livro em duas partes, a primeira, mais convencional, esforça-se em introduzir a um conhecimentobásico da Idade Média e sintetizar as informações relativas ao estabelecimento e à ação da sociedade medieval e suas duas palavras chave: “feudalismo” e “Igreja”. Essa primeira parte tem a preocupação com a organização social, predominante sobre o relato dos conflitos entre os poderes.
A segunda parte esforça-se em avançar mais profundamente na compreensão do dinamismo da sociedade feudal, masgostaria, de sublinhar que se trata de abordar as estruturas fundamentais da sociedade medieval através de uma série de temas paralelos: o tempo, o espaço, o sistema moral, a pessoa humana, o parentesco, a imagem. A questão é compreender como são organizados e pensados o universo e a sociedade, evitando as distinções que nos são habituais (economia – sociedade – política – religião).
A Idade Média seriauma oposição da modernidade. Desse modo, a visão que estabelecida dela é inteiramente determinada pelo julgamento feito sobre o presente. É assim que uns a exaltam para melhor criticar sua própria realidade, enquanto outros a denigrem para melhor valorizar os progressos de seu tempo, isso ao associar a Idade Média ás ideias de barbárie, de obscurantismo e de intolerância, de regressão econômica ede desorganização política. Mas o essencial é escapar do grotesco tanto quanto da idealização: “nem legenda negra, nem legenda rosa”, escreveu Jacques Le Goff. É preciso renunciar ao mito infame tanto quanto ao conto de fadas. Não se pode sair dessa alternativa enviesada sem compreender como e por que se formaram a má reputação persistente da Idade Média e seu reflexo invertido. A Idade Médiacarrega até mesmo em seu nome a marca de sua desvalorização (A idade do meio — um longo afastamento entre a Antiguidade e a modernidade).
O caráter peculiar das crenças e dos costumes medievais excita os amadores do folclore; a paixão pelas raízes, exacerbada pela perda generalizada de referências, empurra em massa para essa idade recuada e misteriosa. Já o romantismo, no século XIX, tomandocontrapé do Iluminismo, preferiu valorizar a Idade Média.
No século XVII a história é dividida em três idades (Antiguidade, Idade Média, Tempos Modernos) e se torna um instrumento historiográfico comum e importante nas obras dos eruditos alemães (Rausin, em 1639; Voetius, em 1644; e Horn, em 1666). Quer se trate dos humanistas no século XVI, dos eruditos do século XVII ou dos filósofos do século XVIII,a Idade Média aparece claramente como o resultado de uma construção historiográfica que visa valorizar o presente através de uma ruptura anunciada com o passado próximo.
“Adam Smith evoca a anarquia e a estagnação de um período feudal enterrado nos corporativismos e nas regulamentações, por oposição ao progresso trazido pelo liberalismo. Voltaire e Rousseau denunciam a tirania da Igreja e forjama temática do obscurantismo medieval, a fim de melhor valorizar as virtudes da liberdade de consciência. É então que toma corpo, de maneira decisiva, a visão da Idade Média que perdura até nossos dias, pois o Iluminismo se define em oposição a ela e a imagem das trevas medievais torna mais estrondosa a novidade deste. A construção historiográfica da Idade Média permite, assim, exaltar os...
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