resenha critica

Páginas: 29 (7143 palavras) Publicado: 19 de outubro de 2014
A ERA DO LIBERALISMO
1808-1850

88
Libertação Econômica

OS DOMÍNIOS coloniais ibéricos, isto é, das coroas espanhola e
portuguesa representam, pode-se dizer que desde o séc. XVII, mas
sobretudo no seguinte, um anacronismo. As duas decadentes monarquias ainda conservavam a maior e melhor parte de seus imensos domínios, incorporados na fase brilhante de sua história: sécs. XV e
XVI.Situação anômala, porque já não correspondia mais ao equilíbrio mundial de forças econômicas e políticas. Depois daquele passado já remoto do apogeu luso-espanhol, outras potências tinham
vindo ocupar o primeiro lugar no plano internacional: os PaísesBaixos, a Inglaterra, a França. No entanto, os domínios ibéricos
ainda formavam os maiores impérios coloniais. Corpos imensos de
cabeças pequenas...Sustentara-se a situação graças sobretudo às
rivalidades e lutas que dividiam aquelas grandes potências. No
séc. XVIII, uma delas, os Países-Baixos, é ofuscada; mas permanecem em campo a Inglaterra e França, digladiando-se sem cessar. É
esta rivalidade que será a mais efetiva proteção dos impérios ibéricos. Cada uma das duas monarquias se ampara num dos contendores:
a Espanha, na França,Portugal, na Inglaterra. Foi-lhes possível
assim atravessar mais ou menos incólumes um século de lutas, não
sem sofrer por vezes amputações de certa gravidade.
A situação voltar-se-á inteiramente contra as monarquias ibéricas na segunda metade do séc. XVIII. O antigo sistema colonial,
fundado naquilo que se convencionou chamar o pacto colonial, e que
representa o exclusivismo do comércio das colôniaspara as respectivas metrópoles, entra em declínio. Prende-se isto a uma transformação econômica profunda: é o aparecimento do capitalismo industrial em substituição ao antigo e decadente capitalismo comercial.
Até o séc. XVII o capital que domina de uma forma quase pura é
o comercial. A indústria ainda não entrara na fase capitalista e
se acha inteiramente nas mãos do artesanato. É apenasexcepcionalmente que encontramos neste setor algumas primeiras formas de capitalismo, como na indústria têxtil dos Países-Baixos. Mas tratase, ainda aí, do capital comercial, que fornecendo a matéria-prima
aos artesãos e vendendo seus produtos acabados, interpõe-se como
simples intermediário entre o produtor e o mercado.
Somente no séc. XVIII se esboça um verdadeiro capitalismo industrial, isto é,aparece um capital industrial propriamente dito,
autônomo e independente do comercial, e dedicado exclusivamente à

produção manufatureira. É então que vai desaparecendo o artesão, o
pequeno produtor independente que trabalha diretamente para o consumidor — excepcionalmente, como referi, para o grande comerciante
—, e que é substituído pelas grandes unidades produtoras, as manufaturaspropriamente que reúnem grande número de trabalhadores, já
agora simples assalariados, sob a direção de um patrão que dispõe
do capital.
A indústria capitalista toma logo tamanho vulto que ofusca o
capitalismo comercial e assume cada vez mais o domínio da economia
européia. Resultará daí o declínio do antigo sistema colonial representado pelo pacto que é uma expressão perfeita do capitalismocomercial. O interesse do comércio no pacto é óbvio, pois o fim
deste não é senão reservar para a metrópole, e portanto a seus comerciantes, o privilégio das transações coloniais em prejuízo dos
concorrentes estrangeiros. E por isso o pacto se mantém enquanto o
capital comercial domina. Mas para o industrial, sem interesse direto no comércio, e cujo único objetivo é colocar seus produtos, asituação criada pelo pacto é desfavorável. O monopólio comercial,
de que não participa porque não é comerciante, não lhe traz benefício algum; e pelo contrário, restringindo as relações mercantis,
efeito necessário de qualquer monopólio, dificulta seu acesso aos
mercados que é tudo quanto o interessa. Para o industrial — naturalmente o industrial dessa primeira fase em que os mercados não
faltam e...
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