Resenha critica do livro “globalização: as conseqüências humanas” de zygmunt bauman

Páginas: 11 (2684 palavras) Publicado: 18 de abril de 2013
Zygmunt Bauman, nascido em 19 de novembro de 1925, é um sociólogo polonês, professor emérito da Universidade de Leeds e Varsóvia. Inicialmente, Bauman participou da corrente ortodoxa da doutrina marxista. Devido a influência de Antonio Gramsci, ele se tornou um crítico feroz do partido comunista que comandava a Polônia. Assim, uma campanha anti-semita liderada por este partido culminou naexpulsão do filósofo de sua terra natal. Bauman então tornou-se professor na Universidade de Tel Aviv e logo após, em Leeds, na Inglaterra. Foi a partir de então que começou a escrever em inglês e sua relevância foi crescendo exponencialmente. De fato, a partir de 1990, Bauman exerceu uma influência considerável sobre o movimento anti-globalização.
O livro resenhado chama-se “Globalização: asconseqüências humanas”, obra publicada pela primeira vez na Inglaterra, em 1998 e no Brasil, em 1999, pela editora Zahar. É composto de cinco capítulos onde o autor discorre sobre os efeitos da globalização nos sentidos sociais, culturais, históricos, geográficos e financeiros.

O primeiro capítulo fala sobre o tempo e classe. Bauman afirma que hoje, os proprietários das grandes empresas não estão maislimitados a restrições territoriais. Como não têm nenhum motivo que o façam permanecer em um determinado local se essa não for a sua vontade, nada impede que esses proprietários mudem, ao sabor de suas vontades, suas empresas de lugar em busca de lucro mais elevados. Se eles têm toda a liberdade garantida pelo seu alto poder aquisitivo, a comunidade local, ao contrário, nada pode fazer contra amudança dessa empresa. Cabe a ela apenas lidar com as conseqüência de verem sua fonte de renda, repentinamente extinta.
A facilidade que a parte mais abastada tem de ir e vir, a qualquer momento, subverte a idéia de limites geográficos. Ora, se como disse Bauman, “a distância é um produto social que varia dependendo da velocidade com a qual pode ser vencida”, não é de se estranhar que a parteprivilegiada da população, a chamada “elite”, seja cada vez mais cosmopolita. Se por meio de transporte ou através da internet essas pessoas podem estar em vários lugares em um curto espaço de tempo, essas pessoas têm mais em comum com as elites de outros lugares do que com os próprios concidadãos.
Os menos privilegiados, no entanto, não têm a mesma sorte. Se não existem mais limites temporais ou espaciaispara aqueles que podem se mover livremente, para os que estão confinados aos lugares onde vivem, essa falta de limites geográficos tira o sentimento de identificação que os moradores de uma determinada comunidade tinham com o local.
A globalização deixa as comunidades semelhantes, e tira as particularidades que cada uma tem. Ou seja, o local se vê privado de características próprias, tornandoextraterritorial certos significados que identificam a idéia de comunidade, dando a impressão que o cidadão poder pertencer a qualquer comunidade em localizada nas mais diversas regiões do mundo, quando na verdade, ele não sente pertencendo a nenhuma comunidade específica.
Ainda na própria comunidade, a elite se isola dos seus vizinhos. Os muros são elevados, há câmera por todos os lugares e quemnão tiver uma senha de entrada, não pode acessar aquele local. Consequentemente, extingue-se o contato face a face, a possibilidade de desafiar um ao outro, discutir, debater, concordar, de forma que os problemas particulares virem questão pública e questões públicas se tornem assunto de interesse privado. Os tradicionais espaços públicos são suplantados, dando lugar a espaços privados onde aentrada é facultada a quem tem capacidade de pagar.
Sem lugar onde se possam fazer ouvir, os líderes locais, e por conseqüência, a opinião local, desaparecem. No lugar deles, surgem “juízes”, que ninguém sabe onde moram e quem são, distribuindo a justiça e as normas de forma vertical, e não mais horizontal. Não há espaço para questionamento ou discussão, os veredictos são decretados de cima, de...
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