Religião e pós-modernidade

Páginas: 17 (4127 palavras) Publicado: 21 de março de 2012
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Religião e Pós-Modernidade: a possibilidade da expressão dosagrado
 
Jaci Maraschin
As coisas não são como aparecem. Nem são de outra maneira.
Lankavatara Sutra
Nos primeiros vinte anos do século vinte o movimento artístico chamado "expressionismo" surgiu como reação à Escola de Paris e, mais especificamente, ao "impressionismo". A novatendência espalhou-se rapidamente por diversos países europeus. Pintores como Max Pechstein, Käte Kollowitz, Edward Munch e Emil Nolde, entre muitos outros, chegavam à conclusão de que estava na hora de se dar ênfase à imaginação em suas obras, em lugar das meras impressões visuais. Para eles, as atividades impressionistas representavam certa passividade da parte dos pintores. Consideravam-nas criaçõesvoltadas para o mundo exterior. A mão de Monet, por exemplo, era comandada por esse impulso que lhe obrigava a passar para as telas as impressões que o mundo objetivo imprimia em sua visão. O mesmo processo estava sendo desenvolvidopor músicos como Debussy e Ravel. Neste caso, as impressões visuais eram transmudadas em sons. Os artistas expressionistas não acreditavam no valor dessesprocedimentos. Entendiam que a obra de arte começava a subir para novas dimensões da expressão. Feininger estava convencido de que "cada obra individual expressava certo estado espiritual num determinado momento bem como a necessidade inevitável e exigente por libertação por meio do ato acadêmico criador: ritmo, forma, cor e qualidade na pintura." A palavra "expressão" vem do latim, expressio, expressionis,significando o ato de espremer no sentido de se obter resultados por meio de ações violentas. Os artistas expressionistas queriam retirar da realidade o seu "suco" como, por exemplo, fazemos quandoesprememos uma laranja. Em outras palavras, queriam extrair da realidade o que lhes parecia ser a sua melhor parte. Ao espremer segmentos escolhidos da realidade pretendiam transformá-los. Assim, tudo oque produziram em suas diversas obras de arte (pintura, escultura, dança etc.) acabou se transformando em erupções, expressões e explosões. Schiele disse certa vez que "arte é sempre a mesma coisa: arte". Para ele, "o novo artista tinha que ser ele mesmo criativo sem precisar das relíquias tradicionais dopassado. Ele poderá descobrir em si mesmo a pedra fundamental para construir sobre ela a suaobra." Mas, onde buscavam seus temas? Já vimos que o tema de suas obras não vinhamdo mundo exterior, mas deles mesmos. Suas obras emanavam sempre do que se poderia chamar vida interior. Brotavam de suas imaginações sempre em ebulição. Não tinham modelos. Não havia, tampouco, ideais a buscar. Por isso, suas cores são fortes, primárias e perturbadoras. Pechstein sempre procurou expressar o desejo quetinha de experiências alegres. Disse, em certa ocasião, que "a arte é e continua a ser aquilo que traz alegria para a minha vida." Seus amarelos e vermelhos parecem estar dançando uma fantástica sarabanda cheia de febre dionisíaca. A arte de expressar era a arte de abrir o mundo para os sentidos do corpo.
Hermenêutica é a ciência dedicada a entender as coisas por meio do processo dainterpretação. Que se exige para a realização dessa tarefa? Depende, naturalmente, de quem faz a exigência. A hermenêutica lida com expressões. As expressões que são seu objeto estão envolvidas sempre numa aura de mistério. Que estaremos esperando quandodizemos que a linguagem, os sinais e os símbolos precisam se tornar claros? Experimentamos entre a coisa e sua expressão desconcertante hiato. Alguns escritoreschegam mesmo a dizer que entre a coisa e sua expressão aprofunda-se imenso abismo. Conceitos como "tradução", "representação", "manifestação", "narrativa" e "descrição" pertencem a esta rede de significação. No conhecido quadro de Munch, "O grito", vemos estranha figura humana sobre imponderável ponte correndo para não se sabe onde com expressões de horror e pavor. As cores dramáticas...
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