Relaçoes de genero na sala de aula

Páginas: 24 (5812 palavras) Publicado: 21 de março de 2012
RELAÇÕES DE GÊNERO NAS PRÁTICAS ESCOLARES E A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE CO-EDUCAÇÃO

AUAD, Daniela – FEUSP GE: Gênero, Sexualidade e Educação / n.23 Agência Financiadora: FAPESP O presente trabalho expressa resultados de pesquisa1, de inspiração etnográfica, realizada em pátios e salas de aula de séries iniciais de escola pública de Ensino Fundamental. Tratou-se de investigação cujo problemaprincipal consistiu em saber como é possível, a partir de pesquisas, enfrentar (e vencer) o desafio colocado pelo tradicional sistema educacional no que se refere ao fomento das desigualdades de gênero. Estas desigualdades ferem os princípios básicos de uma sociedade que se deseja democrática. A idéia original da qual partiu a pesquisa é de que a escola é um espaço especialmente marcado pelasrelações de gênero. Embora diversas publicações2 partam dessa constatação, não se verifica, em nosso país, acúmulo considerável de obras de referência tratando exclusivamente das relações de gênero nas práticas escolares no Ensino Fundamental. Assim, é possível concluir que a maioria das pesquisas educacionais ignora a escola que se constrói determinando e sendo determinada pelas relações de gênero.Uma possível explicação para esse fenômeno, como aponta Tomaz Tadeu da Silva, seria a existência de uma tradição crítica em educação no Brasil, rigidamente apegada a esquemas fechados e estáticos de análise, indiferente ao reconhecimento e incorporação da importância de novos atores sociais3. Essa tradição crítica revela-se incapaz de se apropriar de “novas” categorias, como gênero, raça-etnia egeração. Como conseqüência disso, há a tendência a se desconsiderar tudo aquilo que extrapola as relações de classe, de dominação e exploração sócio-econômica.
Realizada com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), para obtenção do título de Doutora em Educação. 2 Dentre estas, destacam-se as seguintes: Cristina BRUSCHINI e Tina AMADO, Estudos sobre mulher eeducação: algumas questões sobre o magistério, Cadernos de Pesquisa; Fúlvia ROSEMBERG e Tina AMADO, Mulheres na escola, Cadernos de Pesquisa; Tomaz Tadeu da SILVA, Territórios contestados: O currículo e os novos mapas políticos e culturais; Guacira Lopes LOURO, Gênero, Sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista; Guacira Lopes LOURO (org.), O corpo educado: pedagogias da sexualidade.3 Tomaz Tadeu da SILVA, Territórios contestados: o currículo e os novos mapas políticos e culturais, p.3.
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Na produção dos estudos educacionais, portanto, parece não se considerar o sexo dos participantes do cotidiano escolar e os significados de gênero que constituem tal cotidiano. Da mesma maneira, pode não estar sendo percebido o modo como a escola é mais do que uma mera“reprodutora”, sem conflitos e problemas, de uma determinada visão do que seja tradicionalmente masculino e feminino. Alunas e alunos não são vítimas passivas. Elas e eles resistem, contestam e podem apropriar-se diferentemente do corpo de conhecimentos com os quais entram em contato na escola, formal e informalmente. Nesse sentido, como é possível depreender da leitura da obra de Guacira Lopes Louro, a escola éprodutora de diferenças, distinções e desigualdades. A escola que a sociedade ocidental moderna herdou separa adultos de crianças, ricos de pobres e meninos de meninas. Herdamos, e agora de muitas maneiras mantemos, uma importante instância de fabricação de meninos e meninas, homens e mulheres. O trabalho de conformação que tem início na família encontra eco e reforço na escola, a qual ensinamaneiras próprias de se movimentar, de se comportar, de se expressar e, até mesmo, maneiras de 'preferir'. Guacira Lopes Louro destaca, contudo, que os sujeitos não são passivos receptores de imposições externas. “Ativamente eles se envolvem e são envolvidos nessas aprendizagens — reagem, respondem, recusam ou as assumem inteiramente.”4. A partir da leitura de Estudos sobre Resistência, de...
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