Relação de apego entre crianças institucionalizadas

Páginas: 26 (6295 palavras) Publicado: 7 de abril de 2013
INTRODUÇÃO


A ideia de infância surge no Brasil com a chegada dos Jesuítas que traziam as ideologias europeias, por meio da educação rígida com as punições e imposição de castigos físicos, como melhor forma de criar as crianças para torna-las “homens e mulheres de bem”. Entretanto, essa noção se restringia apenas aos que possuíam posses e pertencentes à boa família, os demais, ouseja, a maioria composta por negros e mestiços continuavam sendo tratados como adultos e invisíveis no atendimento de suas necessidades básicas, vistos como mão de obra rentável no caso dos meninos negros que com 7 anos já trabalhavam nas lavouras. Os mestiços eram abandonados à própria sorte, frutos de relacionamentos inaceitáveis aos padrões morais e sociais da época e ou ao próprio sentimento deindiferença à criança.
A situação de crianças e adolescentes abandonados e vivendo a perambular pelas ruas se tornaram tão alarmantes que começaram a exigir um posicionamento por parte das autoridades locais. Só no século XVIII é que a coroa portuguesa instala no Brasil a Roda dos Expostos fundada em 1726 na cidade de Salvador, administrados pela Santa Casa de Misericórdia que acolhia osrecém-nascidos.
Segundo Santos (2007), os fatores decisivos que contribuíram significativamente para o aumento no número de crianças e adolescentes em situação de rua, foram a Lei do Ventre Livre em 1871, na qual todas as crianças nascidas após essa data eram cidadãos livre do engenho, na qual a grande maioria das crianças foi entregue ao Estado e a outra libertação dos escravos com a Lei Áurea em1888.
No inicio da urbanização crianças e adolescentes já faziam parte do quadro de funcionários das indústrias, entretanto muitas vezes não recebiam quase nenhum salário, propiciando a atividade mais tarde conceituada como vadiagem nas ruas e vielas dos grandes centros urbanos.
A exploração dessa força de trabalho nas fábricas e oficinas ampliava a reprodução do capital, devido aos baixoscustos de produção. As crianças e adolescentes recebiam salários irrisórios ou, até mesmo, não eram remunerados. O controle e a submissão eram mais intensos, pois, pela inexperiência, eles ficavam indefesos perante o capitalista, e algumas atividades fabris eram apropriadas a essa faixa etária, como, por exemplo, limpar chaminés, manusear certas maquinas, entre outras. (MOURA(1996) apud SANTOS,2007, p. 231).

Entre meados do século XIX e inicio do século XX, a situação dos meninos em situação de rua se tornou uma preocupação para os burgueses, temendo que estes prejudicassem a ordem social, o que passou a ser visto como caso de polícia. O Estado como resposta cria o primeiro Código de Menores em 1927 com o objetivo de corrigir e disciplinar os meninos e meninas em situação de rua, aideologia presente suscitava que os menores eram mais vulneráveis a desenvolver um caráter duvidoso levando a praticas de delitos e de vícios, tendo como medida de sanção aos “delitos” ou “vadiagem” a internação em instituições publicas.
A respeito dessas instituições, Santos (2007, p.234) expõe “que são criadas para disciplinarem e controlarem os menores abandonados, através de uma educação rígida eautoritária que impregna a moral, os bons costumes e a ordem em seus corpos”.
A partir da década de 1980 emergem oposições à situação irregular da criança e do adolescente, apoiado pela Declaração dos direitos da Criança de 1959 e a efervescência dos movimentos sociais que viviam momentos de transformações políticas, econômicas e sociais em razão do enfraquecimento e final do período derepressão política, essas discussões culminaram na construção de uma nova Constituinte e regulação de uma nova lei que trouxesse implícito a concepção de criança e adolescentes como sujeitos de direitos e a sua proteção integral, culminando na homologação do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990.
Com a nova legislação destinada à proteção integral de crianças e adolescentes, se passa a ter outro...
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