refugiados

Páginas: 9 (2068 palavras) Publicado: 17 de setembro de 2014
Palestinos

Em 2007, o Brasil aceitou reassentar 108 refugiados palestinos que, durante quase cinco anos, viveram no inóspito campo de refugiados Ruwesheid, localizado em meio ao deserto, na fronteira entre a Jordânia e o Iraque. A fuga para o campo, ocorrida em abril de 2003, foi consequência de guerra civil no Iraque, país onde já se encontravam em refúgio, desencadeada após a invasãoamericana e a posterior destituição de Saddam Hussein do poder.
A aceitação deste grupo foi considerada pelos organismos internacionais e por representantes locais a expressão de um verdadeiro “ato humanitário” do governo brasileiro. Conforme o discurso veiculado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a despeito de suas várias tentativas de reassentá-los nos países árabesvizinhos ou em países desenvolvidos que tradicionalmente recebem refugiados.
A recepção dos refugiados palestinos, através do Programa de Reassentamento Solidário (pensado, a princípio, para receber refugiados da América Latina), reforçou ainda mais esse reconhecimento. Tal reassentamento se deu através de solicitação do ACNUR, a despeito da hesitação da Autoridade Palestina em realizá-lo em paísesocidentais distantes. Isso porque a ideia do reassentamento parecia enfraquecer a “luta pelo retorno”, tão cara ao povo palestino desde 1948. Contra esta hesitação, o Brasil teria declarado que, antes de apresentar-se como uma questão política, tratava-se de um “problema humanitário” a ser resolvido.Além disso, com a notícia de que o campo seria iminentemente fechado, o Brasil recebeu os últimos108 refugiados de Ruwesheid, sem estabelecer entrevista ou seleção, procedimentos costumeiramente adotados no processo de reassentamento. A atitude de assumir todo um grupo cujo perfil era desconhecido, longe de apontar para um risco que o Brasil estava assumindo de não conseguir atendê-lo, apenas parecia reforçar a imagem humanitária de que o país recebeu aqueles que nenhum outro quis,desconsiderando seu passado e sua condição. 
Se o plano inicial para o reassentamento parecia bem estruturado, em poucos meses as insatisfações e reivindicações de alguns palestinos demonstraram o quão despreparada estava a equipe local para atendê-los. Além das difíceis condições de vida encontradas no Brasil, as insatisfações de alguns palestinos também eram decorrentes de um conjunto de promessas feitas,quando ainda estavam no campo, relativo a uma série de oportunidades que lhes estariam garantidas e que não se concretizaram, mas do qual nem mesmo os representantes do ACNUR local diziam ter ciência.
As principais promessas giravam em torno do oferecimento de um rápido atendimento médico especializado nos hospitais públicos (dado que muitos apresentavam problemas crônicos de saúde no campo), dafacilidade de encontrar empregos que possibilitassem a autossuficiência, e da garantia de aulas de português que permitissem um eficiente aprendizado da língua. Além disso, os refugiados afirmaram que as poucas informações repassadas a respeito do Brasil, principalmente através de vídeos, apenas reforçavam a ideia de um país acolhedor onde a diversidade étnica e religiosa era respeitada. 
Com adificuldade de serem reassentados em outro país e diante da condição legal de alcançarem a cidadania brasileira em, aproximadamente, dez anos (o que permitiria, enfim, o livre trânsito internacional), alguns refugiados acabam por igualar a vida no Brasil à vida do campo Ruwesheid: “aqui também estamos presos, a diferença é que as fronteiras são maiores e que não temos esperança de vermos nossoproblema resolvido”.

Bibliografia 
ARAUJO, Nádia de; ALMEIDA, Guilherme de Assis (org.). O Direito internacional dos refugiados: uma perspectiva brasileira. Rio de Janeiro: Renovar, 2001.

Sírios

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