Redescoberta do imperialismo

Páginas: 29 (7006 palavras) Publicado: 13 de agosto de 2013
A redescoberta do imperialismo
por John Bellamy Foster [*]

Este texto foi originalmente escrito como introdução aos Ensaios sobre o imperialismo e a globalização , de Harry Magdoff, que deverá ser publicado na Índia pela Cornerstone Publications.

O conceito de “imperialismo” foi considerado fora do limite aceitável do discurso político dentro dos círculos dirigentes do mundo capitalistadurante a maior parte do século XX. A referência a “imperialismo” durante a guerra do Vietname, não importando se realista ou não, era quase sempre sinal de o autor estar do lado esquerdo do espectro político. Numa introdução à edição americana de 1971 Imperialismo nos anos setenta de Pierre Jalée, Harry Magdoff observou, “Como regra, os académicos polidos preferem não usar o termo 'imperialismo'.Consideram-no desgostante e não científico”.

Hoje, repentinamente, isto deixou de ser verdadeiro. Os intelectuais americanos e a elite política estão calorosamente a abraçar de forma aberta a missão “imperialista” ou “neoimperialista” dos Estados Unidos, reiteradamente enunciada em publicações de prestígio como o New York Times e a Foreign Affairs . Este fervor imperialista deve-se muito à“Guerra ao Terrorismo” da administração Bush, que está a assumir a forma de conquista e ocupação do Afeganistão e – se as suas ambições forem cumpridas – do Iraque. De acordo com a Estratégia de Segurança Nacional da administração Bush, não há limites ou fronteiras reconhecidas ao uso do poder militar a fim de promover os interesses dos Estados Unidos. Face a esta tentativa de expandir aquilo a que sóse pode chamar de Império Americano, intelectuais e figuras políticas estão não só a regressar à ideia de “imperialismo”, como à visão da mesma proposta pelos seus antigos promotores do século XIX, ou seja, como constituindo uma grande missão civilizadora. Comparações dos Estados Unidos com a Roma Imperial e com o Império Britânico são agora comuns na imprensa de referência. Tudo o que é precisopara torná-la plenamente aproveitável é libertar o conceito das suas velhas associações marxistas de hierarquia económica e de exploração – para não mencionar o racismo.

De acordo com Michael Ignatieff, Professor de Política de Direitos Humanos na Kennedy School of Government da Universidade de Harvard em artigo no New York Times Magazine (28/Jul/2002) “[O] imperialismo costumava ser o fardodo homem branco. Isto deu-lhe má reputação. Mas o imperialismo não deixa de ser necessário só porque é politicamente incorrecto”. Referindo-se às operações de guerra dos Estados Unidos no Afeganistão ele afirma: “As forças especiais não são assistentes sociais. São um destacamento imperial, avançando o poder e os interesses americanos na Ásia Central. Chamem a isso manter a paz ou construir umanação, chamem o que se quiser, política imperial é o que está em marcha em Mazar. De facto, toda a guerra americana ao terrorismo é um exercício de imperialismo. Isto pode ser um choque para os americanos, que não gostam de pensar no seu país como um império. Mas o que mais se pode chamar às legiões de soldados, espiões e Forças Especiais americanos a cavalgar o globo?” G. John Ikenberry, professor deGeopolítica e Justiça Global na Universidade de Georgetown e colaborador regular da Foreign Affairs , publicada pelo Council on Foreign Relations, escreve nessa publicação (Setembro/Outubro de 2002):
“Nas sombras da guerra ao terrorismo da administração Bush, novas ideias abrangentes estão a circular acerca da grande estratégia americana e da reestruturação do mundo unipolar de hoje. Elas apelamao direito unilateral e preferencial, até mesmo preventivo, de usar a força, facilitada se possível por coalizões de vontades — mas em última análise sem os constrangimentos das regras e das normas da comunidade internacional. No limite, estas noções formam uma visão neo-imperial em que os Estados Unidos se arrogam o papel global de estabelecer padrões, determinar ameaças, usar a força e...
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