Quem fomos nós no século XX: as grandes interpretações do Brasil – Alberto Costa e Silva

Páginas: 5 (1182 palavras) Publicado: 15 de maio de 2014
Quem fomos nós no século XX: as grandes interpretações do Brasil – Alberto Costa e Silva
Rayanne Karollyne Pontes da Silva1

Pretende-se, neste trabalho, discutir a problemática da raça como fator causador do atraso brasileiro, visto que tal problemática permeia muitas das literaturas escritas no século XX. Como suporte teórico este estudo apoiou-se nas discussões apresentadas no texto Quemfomos nós no século XX: as grandes interpretações do Brasil (COSTA E SILVA, 2000). De forma a sustentar as discussões apresentadas neste, utilizou-se das contribuições de Gilberto Freyre apresentadas no primeiro capítulo de sua obra Casa-Grande & Senzala (49 edição, Ed.: Global, São Paulo, 2004).
Em um primeiro momento o texto de Costa e Silva remete-nos a uma condenação do Brasil ao declínio, sobos parâmetros do que se tinha por ciência, pondo-nos como inferiores com relação à raça europeia pelo fato de sermos mestiços, para tanto se utiliza das contribuições de estudiosos como Euclides da Cunha e Sílvio Romero, os quais acreditavam que houvesse uma hierarquia de raças. Muitos dos estudiosos que se dispuseram à interpretação do atraso do povo brasileiro lançaram mão dos ideários racistasvigentes no século XX, inferiorizando o negro e o mestiço, expondo-os a um estágio de degeneração. Muitas destas possíveis interpretações deram-se sob a ótica europeia, ótica esta que se utilizava do conceito de eugenia.
Dada a construção dos ideários racistas europeus no Brasil, por sermos um caso particular de intensa miscigenação, por termos aqui toda uma gente que a ciência situara nospatamares inferiores, estávamos marcados negativamente dentro dos tristes limites do atraso econômico e social. A miscigenação condenava negativamente o país, restando-nos uma única saída, era preciso branquear a população propiciando um melhoramento da raça aqui instalada se desejássemos sair da condição de declínio e rever a inviabilidade nacional, visto que os fatores físicos (como a dimensão damassa cefálica e a cor) da população definiam a capacidade de uma nação, desenhando-lhes os limítrofes do desenvolvimento.
À raça miscigenada deviam-se todos os nossos males, peguemos como confirmação de tal afirmativa os dizeres de Euclides da Cunha “ainda quando haja sobre o produto o influxo de uma raça superior, desponta vivíssimos estigmas da inferior” na ocorrência da mistura racial, ou seja,por mais que houvesse uma raça superior em cruzamento com a inferior o descendente herdaria sempre os piores genes das raças em cruzamento.
Esta forma de justificar o atraso brasileiro sofrerá a contraposição de figuras como Gilberto Freyre, Lisboa, Capistrano de Abreu, Alberto Torres, Manoel Bonfim, entre outros. Mesmo que estes atribuíssem o atraso do país a fatores diferentes, ambos eramunânimes na ideia de que tal atraso não devia-se à raça ou ao povo que tínhamos aqui. Segundo Lisboa, os males provinham não do povo, mas da desordem do poder.
Em contrapartida à Lisboa, Capistrano e Torres eram descrentes quanto a existência de uma hierarquia racial, ao passo que para Bonfim os problemas aqui enfrentados advinham da cobiça metropolitana e das inadvertências entre as elitessubstituintes desta no mando. Segundo Torres tais problemas deviam-se à gestão e produção desorganizada do Estado de natureza econômica e política e às nossas defeituosas estruturações sociais. Não podendo-se deixar de citar neste, a contribuição dada por Monteiro Lobato ao construir uma imagem de que “o Brasil seria conforme o esforço que nele puséssemos, individual e coletivamente” (COSTA, 2000, p.24)enfatizando a ideia de que o país poderia ser mudado.
Neste contexto de possibilidade de mudança se dá a Semana de Arte Moderna como busca dos jovens em redescobrir o Brasil a partir da produção nacional, rompendo a cultura brasileira, a europeia e a portuguesa, criando um abrasileiramento. Mesmo que a imagem que se tinha do povo brasileiro estivesse a mudar, o país tinha um passado que deveria...
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