Psicologia e Saúde

Páginas: 13 (3176 palavras) Publicado: 10 de agosto de 2013
Perversão sexual, ética e clínica psicanalítica
RESUMO
Neste trabalho os autores propõem discutir um construto teórico-clínico - a perversão - de difícil consenso entre as diversas teorias que compõem o universo psicanalítico. Defende-se o "direito à diferença", como uma expressão legítima de uma forma de organização psíquica, e sustenta-se que toda tentativa de normatização e de transformaçãodo sujeito em um "sujeito-teórico" constitui uma perversão de papel do psicanalista. Para os autores, a clínica da perversão reabre o debate sobre a disposição ética para a escuta, e coloca o psicanalista diante das moções pulsionais perversas que o habitam.
Palavras-chave: Perversão, ética, pulsão, neossexualidades
A sexualidade humana, em todas as suas múltiplas formas, variações eexpressões, se constitui como um infindável campo para a investigação teórico-clínica. Teceremos, aqui, algumas considerações acerca de um construto teórico-clínico - a perversão - extremamente complexo, polêmico, e de difícil consenso entre as diversas teorias que compõem a "pólis psicanalítica". Estrutura? Desvio de uma norma? Solução? Aberração? Afinal, como definir a perversão sexual? Trata-se de algoabominável a ser censurado e punido em quaisquer circunstâncias, ou deve-se levar em consideração o direito à diferença como expressão legítima de uma forma de organização psíquica? Elisabeth Roudinesco (2007), em seu último livro, escreve que:
A perversão é um fenômeno sexual, político, social, físico, trans-histórico, estrutural, presente em todas as sociedades humanas [e questiona]: O quefaríamos se não mais pudéssemos designar como bodes expiatórios - ou seja, como perversos - aqueles que aceitam traduzir por seus atos estranhos as tendências inconfessáveis que nos habitam e que recalcamos? (p. 15)
Ao dar uma dimensão histórica à perversão, Roudinesco nos remete à essência do pensamento freudiano sobre o tema, fazendo-nos refletir sobre nossas próprias moções pulsionais perversas.Muitos são os tabus e os códigos de conduta presentes na sociedade ocidental que, até hoje, ditam uma normatização utópica para o desejo. A ideologia religiosa, por exemplo, sempre subjugou e restringiu as possibilidades de uma vivência sexual que levasse em consideração a visão psicanalítica de uma pulsão sexual infantil diversificada, anárquica, plural, parcial, bissexual e perversa, subjacente atoda e qualquer constituição psíquica. Do Código de Moisés aos dias atuais, o sexo sempre foi relegado pelas religiões ancoradas na tradição judaico-cristã a um estado inferior, passível de condenações, restrições e punições divinas e humanas.
No século XIX a ciência médico-psiquiátrica abarcou o saber sobre o sexo contribuindo, assim, para uma concepção normopata da sexualidade humana ligando,muitas vezes, loucura e sexualidade. Em consonância com a justiça, reprimia-se e punia-se o "sexo doente". A sexualidade foi criminalizada em nome da moral e dos bons costumes da "sociedade honesta". A família deveria ser, a todo custo, preservada dos ataques de lascívia dos "loucos sexuais". O ato sexual no lar tinha seus limites, devendo-se extirpar os desvios e respeitar a "natureza sexual" e a"sexualidade sadia". O submundo da sexualidade devia ser exercido fora do lar, podendo existir o sadio e o desvio, mas de formas separadas: eles não caberiam sob o mesmo teto. A sexualidade não tinha, portanto, "direito de escolha", sendo entendida como feita para a reprodução e para a manutenção da família. Tudo aquilo que se desviasse dessa norma era considerado antinatural.
À ciênciainteressava detectar os "perversos" e as "aberrações sexuais" exatamente para mantê-los à margem, para melhor conservar a integridade e a saúde dos indivíduos "normais". Krafft-Ebing (1886) e Havelock Ellis (1898) se destacaram entre os maiores cientistas do pensamento médico-positivista sobre as perversões no início do século XIX. Krafft-Ebing foi o primeiro a classificar clinicamente as psicopatias...
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