Programa de proteção respiratória

Páginas: 34 (8305 palavras) Publicado: 10 de novembro de 2012
O que é Burnout ? Wanderley Codo, Iône Vasques-Menezes

Jeca Tatu era considerado pelos vizinhos de roça como um preguiçoso, este sentimento que todos temos, nele era crônico, até que se descobriu que o problema de fato era uma verminose que lhe roubava a energia necessária para o trabalho. A literatura de Monteiro Lobato estava, e muito, próxima da vida. A história da ciência está repleta emsubstituir julgamentos morais feitos pelo senso comum por causas identificadas como problemas de saúde física ou psíquica: as histéricas, na idade média, queimadas como bruxas até que se diagnosticasse que estavam ‘doente dos nervos’; o alcoolismo considerado ‘falta de vergonha na cara’ até que se apontasse a dependência químico-psicológica da droga. A lista é interminável e interminada, mais emais caminhamos no sentido de descobrir razões objetivas para síndromes e sintomas dantes considerados como deformações pessoais de caráter. Já se viu que o professor faz muito mais do que as condições de trabalho permitem; já se viu que comparece no tecido social compondo o futuro de milhares e milhares de jovens que antes dele sequer poderiam sonhar. Mas existe um outro professor habitando nossalembranças: Um homem, uma mulher cansado abatido, sem mais vontade de ensinar, um professor que desistiu. O que nos interessa aqui são estes professores que desistiram; entraram em Burnout. Neste sentido, estes professores e demais trabalhadores em educação bem que poderiam ser considerados uma atualização de ‘Jeca Tatu’, tal e qual imaginou Monteiro Lobato, parecem preguiçosos, mas estão, por assimdizer, “doentes”. Quem tem ou teve filhos na escola,

ou quem ainda freqüenta uma, pode ter na memória a imagem de um professor desanimado, queixoso até de detalhes insignificantes sobre o seu trabalho, sua clientela, tratando os alunos como se estivessem lidando com uma linha de montagem de salsichas, a imagem vem da ópera rock ‘The wall’: ‘Hey teacher, leave the kids alone’ (Professores,deixem os alunos em paz); será que este profissional não percebe a importância do seu trabalho na formação de nossos filhos? Não, muitas vezes não percebe mesmo. Será que não é capaz de se envolver, se emocionar pelo seu trabalho? Não, muitas vezes não é capaz mesmo. O tratamento destas questões em nível científico demorou. Apenas na década de 70 é que começaram a ser construídos modelos teóricos einstrumentos capazes de registrar e compreender este sentimento crônico de desânimo, de apatia, de despersonalização. Primeira constatação: trata-se de um problema, uma síndrome que afeta principalmente os trabalhadores encarregados de cuidar (caregivers). Burnout, foi o nome escolhido; em português, algo como ‘perder o fogo’ ‘perder a energia’ ou “queimar para fora” (numa tradução mais direta). Éuma síndrome através da qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que as coisas já não o importam mais e qualquer esforço lhe parece ser inútil. Esta síndrome afeta, principalmente, profissionais da área de serviços quando em contato direto com seus usuários. Como clientela de risco são apontados os profissionais de educação e saúde, policiais e agentespenitenciários, entre outros. Schaufeli et al. (1994) chegam a afirmar que este é o principal problema dos profissionais de educação. A síndrome Burnout é definida por Maslach e Jackson (1981) como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto e excessivo com outros seres humanos, particularmente quando estes estão preocupados ou com problemas. Cuidar exige tensão emocional constante, atenção perene; grandes responsabilidades espreitam o profissional a cada gesto no trabalho. O trabalhador se envolve afetivamente com os seus clientes, se desgasta e, num extremo, desiste, não agüenta mais, entra em Burnout. A síndrome é entendida como um conceito multidimensional que envolve três componentes: 1) Exaustão Emocional – situação em que os trabalhadores sentem que não podem...
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