Práticas medicinais dos colonizadores na américa portuguesa quinhentista.

Páginas: 20 (4904 palavras) Publicado: 17 de outubro de 2012
Práticas Medicinais dos Colonizadores na América Portuguesa Quinhentista.

WELLINGTON BERNARDELLI SILVA FILHO[i]

Resumo

Pouco contemplado pela historiografia tradicional, a medicinal no primeiro século de colonização da América Portuguesa constitui-se como um importante campo para a compreensão do processo de fixação do colono europeu no Novo Mundo, evento esse impossível de seravaliado sem antes deter-se a preocupação dos colonizadores em descrever e classificar do mundo natural ao qual estavam agora inseridos. Por meio da observação meticulosa, experimentação e apropriação do saber indígena, o europeu pode compreender os usos práticos da flora e fauna americana, em especial a natureza da Mata Atlântica, zona biogeográfica mais rica do planeta, possuidora departicularidades e espécies endêmicas aos quais esses homens não estavam habituados.

Adentrar um novo ambiente, para colonizador europeu quinhentista, significava estar sensível uma gama de doenças próprias desse local, que no entendimento desses homens, deveriam ser curadas com mezinhas e boticas inerentes a esse território. Nesse ínterim que se inscreve os processos de descrição e classificaçãodo mundo natural do Novo Mundo, em que os colonizadores se esforçaram a registrar em crônicas, cartas e textos, a fauna e flora local, seus usos práticos e valores medicinais. Para o presente artigo, foi recolhido os relatos dos colonizadores, jesuítas e cronistas europeus a respeito da utilização fitoterápica da flora Americana do século XVI, a rigor: o missionário calvinista Jean de Léry, osenhor de engenho Gabriel Soares de Souza e os jesuítas portugueses Manoel da Nóbrega, José de Anchieta e Fernão Cardim.

Para tanto, fez-se uso da História das Ciências como metodologia na análise das fontes acima citadas, visto o entendimento que pouco foi contemplado, nos textos dos colonizadores, passagens que retratam as práticas cotidianas de sobrevivência no Novo Mundo, como o usoda fauna e flora local na adaptação do europeu nesse novo território.

Com relação às práticas medicinais na América colonial quinhentista, os colonizadores se apropriaram do conhecimento fitoterápico indígena nas descrições das propriedades medicinais das plantas e ervas utilizadas como mezinhas. Todavia, a apropriação do saber indígena não se deu de forma indiscriminada, mas antes, adequando-oà teoria humoral hipocrática-galênica, defendida pela medicina erudita em voga na Europa do século XVI.

Palavras-chave

História das Ciências; América Portuguesa; Fitoterapia; Apropriação Cultural









O descobrimento de novos territórios, propiciados pela expansão marítima do século XVI, são frequentemente relacionados ao estabelecimento de novas rotas comerciais e aconstrução dos impérios ultramarinos europeus, fatos pertinentes para a compreensão das mudanças ocorridas no seio da sociedade do Velho Mundo, porém inconsistentes quando analisados por si só, alijados da discussão acerca da ampliação do conhecimento acerca do mundo natural que a colonização do Novo Mundo América proporcionou. A acumulação e divulgação das informações sobre a fauna e flora doterritório recém-descoberto permitiu, não só a adaptação dos seus colonizadores, mas também uma mudança epistemológica no saber europeu.

No tocante a medicina, o século XVI presencia um novo mundo de boticas, mezinhas e trigas. O período compreendido hoje como Idade Média caracterizou-se por um forte controle moral da Igreja Católica, que combateu veementemente as práticas terapêuticas abase de plantas e ervas para a cura de doenças, taxando tal comportamento como próprios de feiticeiros, bruxas e artifícios demoníacos (CARNEIRO, 1994, p. 55). Entretanto, com o ciclo das navegações, as descobertas dos novos territórios além mar e a consequente introdução de produtos orientais considerados exóticos para esses homens, como as especiarias, o café e o ópio, propiciaram um gradativo...
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