Possibilidades de pesquisa nas correspondências da família teixeira (segunda metade do século xix – 1960).

Páginas: 10 (2499 palavras) Publicado: 10 de julho de 2012
POSSIBILIDADES DE PESQUISA NAS CORRESPONDÊNCIAS DA FAMÍLIA TEIXEIRA (SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX – 1960). Lielva Azevedo Aguiar 1

Resumo: No alto sertão da Bahia, sobretudo no século XIX e meados do século XX, a escrita de cartas foi uma prática comum entre as elites letradas, sobressaindo-se como um dos principais meios de comunicação. O dinamismo dessa atividade é comprovado pelo grandecontingente de correspondências produzido, por exemplo, pela família Teixeira. São cartas que oferecem inúmeras possibilidades de pesquisa nas diversas áreas do saber. Apresentar tais possibilidades, enfocando especialmente um grupo de correspondências pertencente ao político Deocleciano Pires Teixeira, é o objetivo deste texto.

Atualmente, o fax e o email representam a modernização da troca decartas, uma forma de comunicação cuja origem se perde na Antiguidade. Embora substituídas pelas novas tecnologias, a preservação de tais documentos têm evidenciado a sua importância histórica, de modo que, como salientou Antônio Gómez (2002, p. 13), sem elas “é difícil imaginar a vida pública e privada, de pessoas tão habituadas a escrevê-las”. Durante algum tempo, as correspondências despertaram uminteresse particular entre os literatos. Isso se justifica, segundo Ângela Gomes (2004, p. 8), pelo simples fato de que “o texto é o centro da produção literária e suas características semânticas e culturais são fundamentais à atividade de pesquisa e ensino nessa área do saber.” Em virtude disso, vários trabalhos resultaram de “olhares literários” lançados, por exemplo, nas correspondências deEuclides da Cunha, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, e outros destaques da literatura brasileira. Entretanto, nas últimas décadas, observou-se um crescente interesse dos historiadores por documentos como cartas, diários, e outros que fazem parte do gênero “escrita de si”. Paralelamente,

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Mestre em História (UNEB - Campus V). Professora de Cultura Documental ePatrimonial pela mesma instituição – Campus VI. lielvaaguiar@gmail.com

o alargamento da noção de “fonte histórica” e a incorporação de novos objetos à prática historiográfica impulsionaram também o surgimento de novas metodologias e categorias de análise. Como salientou BASTOS, CUNHA e MIGNOT (2002, p. 6): “A carta não apenas aproxima, mas fala a respeito de quem a escreve e revela sempre algo sobrequem a recebe, permitindo aquilatar a intensidade do relacionamento entre os missivistas”. Mas, os pesquisadores desse tipo de documento também sabem o quanto eles são limitados: “[...] são muitas palavras perdidas, meias palavras, trechos cifrados, interrogações sem resposta, respostas sem perguntas [...] emoções apenas sugeridas, que tornam a leitura fragmentada, interrompida a todo instante poresses desvios sem saída.” (GONTIJO, 2004, p. 164). São documentos que, como qualquer outro, expressam apenas fragmentos de realidades, pedaços de uma história que extrapola as margens da correspondência, cuja compreensão sempre será inatingível por inteiro. No alto sertão da Bahia 2, sobretudo no século XIX e XX, a escrita de cartas foi uma prática comum entre as elites letradas. Nesses idos, ocenário regional marcava -se pela falta de boas estradas, ausência de meios de transportes “mais eficazes” que mulas, cavalos e carros de boi, distanciamento considerável dos finais de linha das estradas de ferro que adentravam o interior baiano, inexistência de aparelhos telefônicos, entre outras características que conferiam ao sertão um ritmo diferente daquele experimentado pelos centros maisurbanizados do país. A sensação, entretanto, não era de isolamento. De forma contínua e frequente, as cartas sobressaíram-se como um elo entre os sertanejos e os habitantes de regiões distintas, como meio eficazmente utilizado por aqueles que desejavam manter vivas suas relações pessoais e se comunicar apesar das distâncias e das dificuldades impostas pelo viver no sertão. Entre os documentos...
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