Português

Páginas: 17 (4068 palavras) Publicado: 1 de dezembro de 2014
A Cidade e as Serras
Eça de Queirós

CAPÍTULO I

O narrador apresenta seu amigo Jacinto, cuja família tem origem portuguesa e em Portugal mantém propriedades agrícolas que proporcionam uma renda estável. No entanto Jacinto vive desde sempre em Paris. A transferência dos “Jacintos” para França é narrada como consequência do desfecho da Guerra Civil Portuguesa (primeira metade do séc. XIX): oavô de Jacinto, fidalgo Jacinto Galião, era leal (por motivos risíveis) a D.Miguel e quando este foi exilado aquele o seguiu. Essa mudança para Paris já acompanhou seu filho Cintinho, garoto doentio que passou pela vida, “como uma sombra”. Ao morrer tuberculoso nasceu o Jacinto amigo do narrador - parece que será importante perceber a ausência da figura do pai para este personagem...Voltando àdescrição do personagem central do capítulo, Jacinto, é ressaltada sua boa-sorte em todos sentidos: destaque no colégio, cercado de amizades “puras e certas”, praticou o amor de forma livre -“só experimentou o mel”, dedicava-se à filosofia... E sempre o mundo parecia estar ao seu favor... era alguém invejável. “O Príncipe da Grã-Ventura”. Neste ponto o narrador rapidamente se identifica como JoséFernandes, português erradicado na França para concluir os seus estudos, após ter sido expulso de sua Universidade por motivos grotescos. Em seguida volta a tratar de Jacinto e a sua filosofia de vida, seus conceitos: ele acreditava que somente as ideias, as técnicas, a supremacia do homem sobre a natureza e sobretudo a cidade - “não há senão a cidade!” - poderiam propiciar a verdadeira felicidade.Observando a vida no campo como uma entrega irracional e infeliz aos instintos primitivos - nutrição e procriação. O narrador confidencia uma visão crítica a esses ideais de Jacinto, no entanto afirma nunca a revelou a ele pois “nunca desalojaria um espírito do conceito onde ele encontra segurança, disciplina e motivo de energia”.Ainda explorando o modo “Jacíntico” de vida, o narrador relata umbreve passeio a uma floresta em que Jacinto se sentiu obviamente desconfortável. O grande contraponto do capítulo é quando o narrador recebe uma carta de seu tio Afonso Fernandes para que volte à sua terra natal, Guiães, para cuidar de suas propriedades, já que não tinha mais forças para fazê-lo. Por sete anos José Fernandes, atraído inicialmente pela sopa dourada da tia Vicência, se entrega à vidano campo, tão maldita por Jacinto, que viu a partida de seu amigo como um atestado de óbito. Após esse tempo, em que viveu muito atarefado e nem deu atenção aos livros de direito que levou consigo pensando em manter algum estudo, Zé Fernandes vê a morte de seu tio Afonso, o casamento de sua afilhada Joaninha e retorna a Paris.

CAPÍTULO II

De volta a Paris o narrador encontra Jacinto mantendoos mesmos padrões de elegância, mas sempre ressalta algo de desgastado na vivacidade do amigo - “levemente curvado”, “riso descorado”, “corcovava”, “cansado”, “olhar desconsolado”. Chegando à residência de Jacinto, Campos Elísios, 202, encontra tudo em seu lugar de sete anos antes,com exceção de algumas inovações tecnológicas: um elevador, a eletricidade, o ar aquecido, o telégrafo, oconferençofone... E tais inovações o espantam. E quando tece comentários a Jacinto sobre a volta à “civilização” não é possível ter certeza de um tom de admiração ou sarcástico, de quem vê pouca utilidade em tantos trecos. É evidente no próprio Jacinto um certo sentimento da irrelevância daquilo tudo. Ainda na descrição dos itens da casa é recorrente o uso de figuras típicas do campo para designar cores,formas ou do destaque à matéria prima utilizada na produção dos aparelhos - “estantes monumentais, todas de ébano”, “um verde profundo de folha de louro”, “cordões túmidos...à maneira de cobras assustadas” - enfocando o fato de que tudo que ali estava era originário da natureza controlada pelo homem - “a natureza convergia disciplinada ao meu amigo”.Em seguida José Fernandes é convidado para...
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