Poesia simbolistas

Páginas: 2 (252 palavras) Publicado: 29 de abril de 2013
O cachimbo

Uma visão do tenebroso Limbo.
Soturna e sepulcral, tens a teu lado:
Por um artista foi este cachimbo
À feição decaveira burilado.

Vê tu, formosa, é um crânio em miniatura
Onde tua caveira vou revendo:
O vazio das órbitas fulgura,
Sinistramente,quando à noite o acendo.

E às vezes, quando o eterno ideal me abrasa
O crânio, no cachimbo os olhos ponho:
Há também dentro dele fogo ebrasa,
Sobe o fumo e desfaz-se como um sonho.

E quando à noite o acendo, a sua boca
Transparente e magoada se clareia:
E ri-se, eeu rio ao vê-la, aberta e louca,
Toda de beijos e de afagos cheia






O leito

Ontem, à meia-noite, estando junto
A umaigreja, lembrei-me de ter visto
Um velho que levava às costas isto:
Um caixão de defunto.

O caso nada tem de extraordinário.
Quem umvelho a levar um caixão tal
Inda não viu? É um fato quase diário
Em qualquer bairro de uma capital.

Mas é que ia de modo tal curvadoPara o chão, e afalar tão baixo e tanto,
Que, manso e manso, e trêmulo de espanto,
Fui seguindo a seu lado.

Disse-lhe assim: “Talvezseja demência
Quem guie os passos todos que tu dês;
Ou és então, na mísera existência,
Um miserável bêbedo, talvez.”

O olhar fitono chão, como desfeito
Em sangue,o velho, sem me olhar, seguia.
E ouvi-lhe a única frase que dizia:
— “Vou levando o meu leito.”
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