pigmalião_resenha crítica

1126 palavras 5 páginas
Pygmalion: um exercício de análise sociolinguística
Por Josianne C. Leal Pereira

O filme Pygmalion, de 1938, é uma adaptação da peça teatral de Bernard Shaw de
1912. Conta a história de Eliza Doolitle, uma vendedora ambulante de flores na cidade de
Londres no início do século XX. A linguagem usada por Eliza se mostra uma afronta à língua inglesa, seu vocabulário é pobre, e sua pronúncia, um total desastre. Um eminente fonético,
Henry Higgins, preocupado com o “bem falar” da língua inglesa, e que gloria-se por saber reconhecer a origem de qualquer pessoa apenas pela sua maneira de falar, desafiado por um amigo especialista em dialetos indianos, impõe a si mesmo - com o pretexto de financiar suas pesquisas e até tentando manter oculta sua situação econômica - um desafio: reeducá-la, fazendo-a falar de acordo com a variante-padrão inglesa da época, além de treiná-la e faze-la passar por uma verdadeira dama da sociedade em apenas seis meses. A prova final seria em um baile no palácio de Buckingham, diante de toda a nobreza da época e onde ela não poderia despertar suspeitas quanto à sua origem.
A florista, que é falante de um dialeto chamado de cockney, característico de uma camada pobre da população londrina, vê nessa transformação a sua oportunidade de “ser alguém” na vida, e ter a sua própria floricultura, sem precisar mais arriscar-se trabalhando nas ruas de Londres. E assim se inicia uma relação obviamente difícil entre esses personagens, em maior parte devido à arrogância e preconceitos do professor, e ao temperamento forte da aluna. O filme aborda um assunto importante, e que continua sendo muito tão atual, pois a dita “boa fala” ainda é bastante valorizada, seja na trajetória de estudos e trabalho, como também em ciclos sociais, onde o “falar errado” pode ser um motivo para exclusão social, ainda que em muitas situações, a pessoa não tenha tido acesso a essa conhecimento padrão.

Já no início do filme, podemos perceber que o professor Higgins entende as

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