Pelourinho: Punição e/ou Resistência.

Páginas: 9 (2032 palavras) Publicado: 9 de agosto de 2013
Pelourinho: Punição e/ou Resistência.

Antes de iniciar esse ensaio, faço uma reflexão sobre os autores consultados e que serviram de base teórica para a realização deste trabalho. Silvia H. Lara1, João José Reis2, Eduardo Silva e Stuart B. Schwartz3, fazem parte de uma produção historiográfica que procura dar voz e transformar o “ser escravo” como sujeito de suaprópria história, buscando a não vitimização do indivíduo e, sim, seu papel enquanto agentes construtores e modificadores dos contextos em que estavam inseridos. Para (re)construir essas histórias, os pesquisadores citados acima procuraram evidências, indícios e vestígios nas fontes utilizadas para histórias as quais estejam evidenciadas em primeiro plano a trajetória de vida desses sujeitos.
Ainstituição da escravidão acompanha a história da humanidade, com diversas formas de organização em consonância com cada sociedade. Na Grécia antiga possuir o status de cidadão, permitia que o indivíduo não fosse submetido a escravidão e ao mesmo tempo possibilitava-o a possuir escravos. Entre os povos mulçumanos do norte da África, não compartilhar a religião de Maomé, era um condicionante paratornar-se escravo. Contudo, a cor de pele como fator de classificação, foi instituída pelos portugueses em suas incursões pela costa africana e o tráfico negreiro que empreenderam em direção ao novo mundo. Muito teríamos a escrever sobre as características da escravidão como elemento jurídico entre os africanos, porém nosso objeto de estudo é a vinda dessas populações ao Brasil e suas relações.Na América portuguesa, a escravidão foi compartilhada por essas populações diaspóricas , com poucas similaridades entre si. Fora a cor da pele e a mesma condição jurídica, as suas diferenças eram muito superiores a suas semelhanças. As diferenças poderiam variar desde o tipo de trabalho a que o escravo desempenharia, a que grupo ou nação ele identificava como seus pares e seus inimigos, entreoutros. No livro de João José Reis4 :
“ Não podemos, tampouco, pensá-los como um bloco homogêneo apenas por serem escravos. As rivalidades africanas, as diferenças de origem, língua e religião – tudo o que os dividia não podia ser apagado pelo simples fato de viverem um calvário comum”. (REIS, 1.edição, P. 20).
Como a instituição da escravidão sobreviveu por tanto tempo como elemento motriz de umaeconomia baseada na plantation açucareira no nordeste brasileiro? A relação existente entre o senhor de engenho e os seus cativos, não era apenas baseada na violência. Havia uma série de negociações que tornavam essas relações conflituosas um pouco mais adaptadas a vida cotidiana. Segundo o padre Jesuíta de origem toscana, André João Antonil5, em sua obra que descrevia o cotidiano nas instanciascoloniais desse período, a teoria dos três P’s ( Pau, pão e pano). Nesse método de tratamento o senhor deveria fornecer aos seus cativos alimento, representado pelo pão, apesar de basicamente se alimentarem de farinha de mandioca, também complementavam a sua alimentação com “tudo o que lhe caísse nas mãos” (SCHWARTZ, 1ª reimpressão. P. 126), o pano, que seria a vestimenta do cativo e o pau ocastigo. A grande crítica de religiosos e observadores no período é a de que a punição era muito mais comum nas relações do que os outros dois P’s (pão e pano). Como podemos ver evidenciado nos dois fragmentos a seguir no capítulo “Segredos Internos”6:
Foi, provavelmente, no aspecto da alimentação que relação entre as condições físicas dos cativos e a operação do sistema escravista por meio deincentivos mais se evidenciou. Os métodos encontrados por senhores e escravos para prover seu sustento foram uma questão de sobrevivência, e de certa forma, um expediente importantíssimo para a organização dos engenhos. Há indicações claras, desde o início da economia açucareira até o fim do período colonial, de que os escravos não recebiam uma ração adequada. (SCHWARTZ, 1ª reimpressão. P. 126).
A...
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