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Páginas: 19 (4673 palavras) Publicado: 1 de dezembro de 2014
ESCOLA SECUNDÁRIA C/ 3º CEB DE LOUSADA

Fernando Pessoa
o poeta dos heterónimos
Fernando Pessoa é o poeta dos heterónimos; o poeta
que se desmultiplica ou despersonaliza na figura de
inúmeros heterónimos e semi-heterónimos, dando
forma por esta via à amplitude e à complexidade dos
seus pensamentos, conhecimentos e percepções da
vida e do mundo; ao dar vida às múltiplas vozes quecomporta dentro de si, o poeta pode percepcionar e
expressar as diferentes formas do universo, das
coisas e do homem. Será curioso lembrar que a palavra pessoa comporta em si este
simbolismo do desdobramento fictício, do assumir em pleno uma personagem, se
recordarmos que é as das máscaras de teatro dos actores clássicos, representantivas
de uma personagem, que surge a palavra persona, origemetimológica de pessoa. Os
heterónimos podem ser vistos como a expressão de diferentes facetas da
personalidade de Fernando Pessoa e como a manifestação de uma profunda
imaginação, criatividade e ficção que desde cedo se revela no poeta - recorde-se que
o primeiro heterónimo, o Chevalier de Pas, foi inventado quando o poeta tinha seis
anos. Os mais conhecidos e com produção literária maisconsistente e constante são,
no entanto, outros: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Mas para além
destes heterónimos Fernando Pessoa, desdobrou-se em inúmeros semi-heterónimos
e pseudónimos, personalidades com uma biografia traçada com maior ou menor
detalhe, personalidades com vidas literárias mais ou menos intensas, personalidades
que acompanharam o poeta durante um tempo muito oupouco significativo e que,

quantas vezes, se desbobram elas mesmas em outras. Teresa Rita Lopes, na sua
obra Pessoa por Conhecer (Lisboa, Editoral Estampa, 1990, 2 vol.), dá-nos a conhecer
uma diversidade muito significativa destas facetas de Fernando Pessoa, algumas
muito pouco estudadas e outras inéditas ou praticamente inéditas. Do período da sua
visita a Portugal com a família (entreAgosto de 1901 e Setembro de 1902) conhecemse algumas personalidades que com ele colaboram nos seus primeiros percursos
jornalísticos nos seus jornais manuscritos A Palavra e O Palrador, de difusão
reservada ao próprio e ao seu meio familiar, e onde escreve, em língua portuguesa,
apesar da educação em língua inglesa que vinha recebendo, textos de índole diversa.
Uma dessas personalidades é oDr. Pancrácio que colabora em ambos os jornais e
que irá acompanhar o poeta quer no seu regresso a Durban, onde se manifestará
através de um ensaio humorístico, escrito em inglês, quer no regresso definitivo de
Fernando Pessoa a Portugal, em 1905, continuando a sua colaboração no projecto do
O Palrador. No jornal O Palrador, do período de 1902, colaboram também, para além
do Dr. Pancrácio,Pedro da Silva Salles, como redactor, Luiz António Congo, como
secretário de redacção, José Rodrigues do Valle, na direcção literária e, como
administrador, António Augusto Rey da Silva. Fernando Pessoa cria, pois, não só um
jornal mas também toda a equipa necessária para dar vida ao projecto.
Nesse jornal viria a colaborar, também nesse período, Eduardo Lança, um brasileiro
que fixaresidência em Lisboa e aí se dedica à sua publicação literária e que
acompanha também Fernando Pessoa no regresso, em 1903, a Durban. Em Durban,
novas personalidades vão sendo criadas: Alexander Search e o irmão Charles James
Search, Robert Annon e David Merrick. De regresso definitivo a Portugal, no ano de
1905, Fernando Pessoa faz-se acompanhar destes companheiros de actividade
literária. Para alémdos irmãos Search, viaja ainda com ele um francês: Jean Seul de
Méluret. A cada uma destas personalidades, Fernando Pessoa atribui projectos
literários, distribuindo, deste modo, a sua vontade de intervir na vida cultural daquela
que sempre foi a sua pátria, a sua nação. Regressado a Portugal, Fernando Pessoa
retoma os seus jornais manuscritos. Ao O Palrador, dirigido, nesta nova série por...
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