Os negros no período colonial e imperial

Páginas: 6 (1438 palavras) Publicado: 13 de outubro de 2012
Trabalho de Antropologia e História do Direito –
Tema: Os negros no período colonial e imperial;

O inferno dos africanos
Sobre os escravos africanos foram projetadas imagens bem mais negativas do que a escravidão referenciada aos indígenas. A África é tida,à época, como o lugar do pecado, das trevas e da infidelidade. Ao contrário do que se pensava dos ameríndios, não haveria nenhumavinculação dos negros da Guiné, como eram conhecidos, com o paraíso terrestre (como era conhecida de início a América). As origens bíblicas destes estariam ligadas a duas maldições, ambas posteriores ao pecado original. Eles seriam descendentes de Caim, aquele que por inveja matou seu irmão Abel, e traziam na pele a cor negra, marca do sinal imposto por Deus, ou então, membros da geração de Cam, filhode Noé, que desonrou seu pai e por isso foi condenado, juntamente com seus filhos, à escravidão.
A retirada dos africanos de seu continente era, para as justificativas que se elaboraram sobretudo no século XVII, um milagre da providência divina, engodo sustentado por católicos e protestantes. Pela travessia atlântica e pelo batismo, o escravo era trazido à fé, o que pode ser entendido comoinjustiça era tido como uma afável “graça”.
Com exceção de alguns religiosos e teólogos, indignados com a comercialização de seres humanos, a maior parte dos clérigos de todas as ordens não só aceitava como estimulava e justificava a escravidão africana. Muitos deles participaram diretamente do apresamento e da venda de negros na costa africana, de onde estes eram enviados para vários pontos daAmérica.
A América seria o lugar da purgação dos pecados bíblicos atribuídos aos africanos. Mais uma vez, pelo trabalho e sofrimento, os impuros ficariam limpos e poderiam, depois de mortos, entrar no reino de Deus. Nas palavras de Vieira, em suas vidas na colônia tinham “os escravos o seu purgatório”, engrossando o discurso dominador típico das organizações que dizem possuir o “monopólio da fé” e menosmaculado.
As atividades açucareiras também reforçavam a imagem de colônia- purgatório. O melaço da cana era purgado de suas impurezas nas casa de purgar ao mesmo tempo que os pecados atribuídos aos escravos eram eliminados com os terríveis ofícios da terra. No entanto, os castigos impostos aos escravos ultrapassavam em muito aqueles imaginados pelo purgatório. O engenho assemelhava-se mais, naverdade, ao inferno.
Apesar de defender a escravidão a escravidão dos africanos, tanto o clero católico como também o protestante procurou orientar e regulamentar o comportamento a ser seguido pelos senhores e seus escravos. Salientavam a igualdade espiritual de todos os fiéis cristãos (esquecendo a igualdade material), mesmo que esta repousasse sobre uma profunda desigualdade social. Diante deDeus, diante dos padres nas missas, tanto os escravos quanto seus senhores deviam obediência, pois eram irmãos em Cristo.
Além disso, os religiosos tentavam impedir os pecados carnais e as violências abusivas contra os cativos. Revestiam a escravidão com uma roupagem paternalista, como se o senhor fosse um “pai” severo que pune seu filho, mas garante-lhes uma boa formação cristã. Na lógica dessediscurso, o escravo pertencia a uma família cristã, mesmo sendo um filho menos privilegiado.
Se para os negros africanos a colônia era um verdadeiro inferno, outro grupo social, o dos mulatos tinha uma sorte aparentemente diversa. A mistura de etnias que, além do negro, índio e branco, produziu o mameluco, o mulato e o cafuso, esteve sempre associada às práticas sociais sexuais combatidas pelosmembros da igreja. No entanto, os costumes dos índios, a escassez de mulheres brancas e, principalmente, o poder que os portugueses detinham sobre seus escravos, fossem eles índios ou africanos, fez com que a moral cristã não fosse obedecida à risca.
Associados aos pecados presentes, diferenciados tanto pela cor tanto do brando como do negro, os mulatos ficavam um pouco à margem da oposição...
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