OS CORPOS DÓCEIS E UMA NOVA VISÃO DO PRÓPRIO CORPO

Páginas: 5 (1023 palavras) Publicado: 31 de outubro de 2014
UNIVERSIDADE GAMA FILHO
OS CORPOS DÓCEIS E UMA NOVA VISÃO DO PRÓPRIO CORPO
O corpo antes e após a Reforma Psiquiátrica
Rio de Janeiro
2013

OS CORPOS DÓCEIS: UMA NOVA VISÃO DO PRÓPRIO CORPO
O corpo antes e após a Reforma Psiquiátrica
Mini Artigo apresentado para avaliação do rendimento escolar na disciplina de Saúde Mental,do curso de Psicologia, da Universidade Gama Filho.
Rio de Janeiro
2013
INTRODUÇÃO
O CORPO ANTES DA REFORMA PSIQUIÁTRICA
Nos manicômios, a manipulação das condutas se dava através do controle do espaço, do tempo e das funções corpóreas, moldando assim corpos e os transformando em “bonecos”, “objetos”, “máquinas”. Ou seja, era totalmente descartada toda e qualquer subjetividade humana dodoente mental, visando tão e unicamente sua doença, eles eram dopados, maltratados, levavam choques e sofriam agressões físicas em geral. Seus desejos e sensações eram totalmente desconsiderados pela disciplina vigente.
Imagine-se agora um homem a quem são tirados, junto com seus entes queridos, sua casa, seus costumes, suas vestes, tudo enfim, literalmente tudo o que possui: será um homem vazio,reduzido a sofrimento e carência, alheio à dignidade e ao discernimento; pois a quem tudo perdeu, facilmente ocorre perder a si mesmo. (P. Levi, Se este é um homem).
Se a doença mental, em sua própria origem, é a perda da individualidade e da liberdade, no manicômio o doente mental não encontra outra coisa senão o espaço onde se verá definitivamente perdido, transformado em objeto pela doença epelo ritmo do internamento. Pois a perda de um futuro, a condição permanente de estar à mercê dos outros, sem a mínima iniciativa pessoal, com dias ordenados por horários de acordo com as exigências puramente administrativas faz com que esse corpo se institucionalize.
O CORPO APÓS A REFORMA PSIQUIÁTRICA
Não dá para pensar o corpo fora de um ambiente. Existe um conjunto de relações que eleestabelece no ambiente em que se encontra. Com suas múltiplas possibilidades de relação e expressão, o corpo dita os parâmetros de relacionamentos em determinados ambientes sociais. É possível ver, no desenrolar do dia-a-dia que envolve o ser humano em várias situações, as interferências sobre o corpo que o delimita. Então, não dá para separá-lo do seu contexto de inserção, e nem é possível desconsideraras relações que ali se estabelecem.
Quando o doente entra no asilo, alienado pela enfermidade, pela perda das relações pessoais com o outro e, portanto pela perda de si mesmo, depara-se com novas regras e estruturas que o impelem a objetificar-se cada vez mais, até identificar-se com elas. Com a descoberta da liberdade pela psiquiatria, há uma reorganização no hospital, agora não mais combarreiras físicas, mas sem grades e de portões abertos.
Porém, o que sobrou foi um corpo petrificado dos nossos hospitais, um homem imóvel, sem objetivo, sem futuro, sem um interesse, uma expectativa, uma esperança; um corpo já destruído pelo poder da instituição, em sua maioria um nível de deterioração psíquica resultante mais do poder institucionalizante do asilo que da doença original.
Odesaparecimento das contenções físicas, “criou” no doente mental uma concepção diferente de liberdade, em que ele pode ir e vir, mas que ali todas as necessidades são satisfeitas, tornando assim o hospital como uma gaiola de ouro. A liberdade que o novo clima hospitalar lhe traz pode agora produzir um estado de sujeição ainda mais alienante, por estar mesclado, sentimentos de devotamento e gratidão que ligamo doente ao médico/hospital numa relação ainda mais estreita, mais sólida, mais profundamente mortificante e destrutiva do que qualquer contenção física.
Por isso o paciente continuará a sentir a liberdade como algo que lhe veio de fora, e não como resultado de uma conquista sua. Assim por longo tempo após a abolição das grades que ele mesmo arrancou e destruiu a convite do médico, não...
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